quinta-feira, 8 de novembro de 2001

Pilotos procuram emprego até na Coréia



DA REPORTAGEM LOCAL - Folha de SP

A crise na Transbrasil tem levado vários pilotos e co-pilotos a procurar um novo emprego e garantir, assim, um salário mensal, ainda que menor. Segundo o vice-presidente da Associação dos Pilotos da Transbrasil (APT), Eduardo de Almeida Rosa, cerca de 18 comandantes e co-pilotos da empresa já foram contratados pela companhia aérea Gol.

"Eles estão deixando a empresa por conta própria e aceitam uma redução de salário de cerca de R$ 1.500", declarou Rosa. A Transbrasil tem atualmente 70 comandantes e 86 co-pilotos. A média do ordenado gira em torno de R$ 7 mil, podendo atingir até R$ 12 mil, dependendo do tempo de serviço do funcionário.
Segundo Rosa, os ordenados na Gol girariam em torno de R$ 5.000. A assessoria de imprensa da Gol confirmou que tem contratado profissionais de várias empresas concorrentes, como Transbrasil, Varig, TAM e Rio Sul. A empresa aérea negou, no entanto, que esteja pagando ordenados mais baixos. Os salários de contratação estariam cerca de 15% acima do mercado.

Pilotos e co-pilotos da Transbrasil têm procurado até companhias estrangeiras para trabalhar. Um dos países mais visados é a Coréia do Sul, onde os salários de comandantes são de US$ 8,5 mil.
"Cerca de seis funcionários da TAM já estão trabalhando naquele país", afirma Rosa. "Mas as empresas aéreas da Coréia do Sul deixaram de aceitar novos currículos nas últimas semanas, porque a crise na aviação também chegou lá."

A estratégia de empresas concorrentes irem atrás de funcionários qualificados de companhias em crise não é nova no Brasil. A TAM adotou a mesma estratégia em 2000 com trabalhadores da Vasp, que na época enfrentava uma situação crítica. (LV)

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