Reuters
As companhias aéreas brasileiras continuarão a transportar até a próxima segunda-feira os clientes da Transbrasil, que suspendeu as operações no início da semana por falta de dinheiro para abastecer suas aeronaves.
"O acordo com as empresas foi prorrogado até as 23h59 da próxima segunda-feira", afirmou o assessor da Transbrasil no início da noite de quinta-feira.
O acordo inicialmente firmado com as demais companhias aéreas, que se comprometeram a transportar os clientes que haviam adquirido passagens da Transbrasil, encerrava-se às 23h59 desta quinta-feira.
São signatárias do acordo as companhias Varig, TAM, Gol, Vasp, Rio Sul e Pantanal.
Enquanto busca soluções para atender provisoriamente seus clientes, a Transbrasil tenta conseguir do governo e dos seus devedores dinheiro para retomar as operações e evitar a falência.
Uma ajuda governamental, no entanto, parece cada vez mais improvável. Nessa quinta-feira, o ministro Pedro Parente, da Casa Civil, afirmou desconhecer "qualquer iniciativa dentro do governo" para ajudar a empresa.
"GUERRA" FAVORECE CONSUMIDOR
Desta vez o consumidor sairá ganhando: uma guerra travada para decidir qual companhia aérea oferece passagens mais baratas se inicia. Após a Rio Sul oferecer descontos de até 60% em algumas rotas, a Vasp partiu para uma artilharia pesada e vai reduzir o preço de 33 vôos.
No caso da rota Rio-Recife, o desconto alcança 160%. O preço de um bilhete desabou de R$ 718 para R$ 276. A estratégia da Vasp foi praticar os preços da baixa estação durante a alta temporada, que se inicia neste mês e vai até meados de fevereiro. Mas no caso da Vasp não foi definido um prazo para a promoção acabar.
A recente briga pela passagem mais barata, porém, foi iniciada pela Rio Sul- empresa do grupo Varig. E o alvo certeiro dessa disputa é a Gol. Em alguns casos, o objetivo da Rio Sul é oferecer, a partir do dia 17 de dezembro, passagens que custem R$ 1 a menos que o da rival.
De acordo com o diretor comercial da Rio Sul, Itaci Sotero, a companhia quer implementar o conceito de que é possível oferecer preços baixos com serviço de bordo tradicional: um ataque frontal à Gol, que nasceu com o conceito de oferecer serviço de bordo simples - sem lanches, refeições quentes ou uísque, por exemplo - para reduzir o preço da passagem.
"Estamos entrando no mercado de tarifas competitivas, mas com serviço completo e maior espaço entre as poltronas", disse Sotero, atacando novamente a Gol. Em alguns vôos, a Rio Sul está utilizando o mesmo avião que a Gol - Boeing 737-700 - só que com 24 poltronas a menos.
"Temos que lembrar que a quantidade de assentos que a Rio Sul está oferecendo é muito limitada", rebateu o vice-presidente de Marketing e Serviços da Gol, Tarcisio Gargioni. Segundo ele, a Gol oferece vôos inteiros com o preço promocional e, nas viagens normais, as passagens mais baratas possuem cerca de 50 vagas.
"Eles (a Rio Sul), que nos aguardem", avisou Gargioni, que está preparando uma resposta para a rival, nos preços. A Gol não pretende mudar o perfil de serviço de bordo simples.
Enquanto Gol, Rio Sul e Vasp preparam suas armas, a Transbrasil luta para sobreviver. Mas os passageiros que têm passagens da companhia e ainda não voaram tiveram um alívio. Até às 23h59 da próxima segunda-feira, eles poderão viajar pela Varig, Rio Sul, TAM e Gol. Continua valendo a regra anterior. Deve-se pagar uma R$ 30 pela taxa de embarque e seguro. E a prioridade é para os passageiros das empresas que estão prestando o socorro.
Os trabalhadores da Transbrasil também receberam uma boa notícia. Segundo o presidente do Sindicato dos Aeroviários de São Paulo, Uébio José da Silva, a companhia propôs entregar dois aviões - avaliados em US$ 10 milhões cada - aos funcionários como garantia do pagamento de salários atrasados e de dívidas trabalhistas, que chegam a R$ 25 milhões.
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