BELO HORIZONTE - Depois de um turbulento percurso de discussões, os vôos comerciais da Pampulha finalmente passam a operar no Aeroporto Internacional de Tancredo Neves (Confins). A transferência abre caminho para a decolagem, não apenas de Confins, como do Estado de Minas Gerais, que já começou a atrair investimentos milionários, como o hangar de R$ 10 milhões da Gol.
A partir de hoje, cerca de 120 vôos que antes chegavam e saíam da Pampulha diariamente serão transferidos para Confins. Por quê? Pampulha, projetado para receber 1,5 milhão de passageiros por ano, estava atendendo o dobro: 3 milhões. Confins, com capacidade para 5 milhões de pessoas por ano, estava operando com menos de 10% da capacidade.
“O Pampulha já estava completamente saturado, a transferência é uma necessidade para garantir conforto e segurança aos passageiros”, afirmou o superintendente regional leste da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Pedro Azambuja. Com a mudança, o cenário do tráfego vai se inverter. Antes, passavam por dia cerca de 1.200 passageiros em Confins e 8.000 em Pampulha. Agora serão 8.000 e 2.000. A mudança tem caráter resolutivo: chega sob protestos dos usuários, inconformados com a distância.
Para evitar maiores transtornos, seis vôos serão mantidos em Pampulha, até novembro deste ano, nos horários da manhã e da noite. Mas os passageiros que não estiverem dispostos a embarcar em Confins, terão que disputar vagas “a tapa”. São Paulo, que antes tinha 25 operações diárias em Pampulha, ficará apenas com três, uma saída de manhã (TAM) e dois retornos à noite (TAM e Varig). Brasília, que tinha dez, ficará com dois (ida e volta pela Gol). E o Rio de Janeiro, que tinha 16, ficará com apenas um, de ida (Varig). O prazo pode ser ampliado, caso as obras de melhoria de acesso não fiquem prontas até lá.
,b> Integração - Para facilitar a vida de quem será obrigado a trocar Pampulha por Confins, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-MG) criou um sistema especial de transporte, em parceria com a Infraero e o Departamento de Aviação Civil (DAC). A partir de hoje começa a funcionar um terminal rodoviário, na avenida Álvares Cabral, para agilizar a integração de Belo Horizonte a Confins, a 38 Km do centro da capital.
Segundo o diretor de transportes metropolitanos do DER-MG, Luiz Otávio Valadares, o sistema de transporte vai garantir agilidade, uma vez que a principal preocupação dos usuários da Pampulha é o tempo. “Quem ia do centro até Pampulha, gastava cerca de 25 minutos, de lá até Confins, serão só mais 20 minutos.”
Os passageiros terão à disposição quatro linhas de ônibus e tarifas fixas para corridas de táxi, no percurso Belo Horizonte/Confins. Para quem preferir ir de táxi, o taxímetro será desligado durante o trajeto. As tarifas serão tabeladas em R$ 60 para os táxis comuns (brancos) e R$ 65 para os metropolitanos (azuis).
De acordo com o DER, a corrida saía por aproximadamente R$ 87 para o segundo modelo, que oferecerá uma redução de 25%. Para os táxis comuns, que antes cobravam de R$ 95 até R$ 110, incluindo a taxa de retorno, o valor passa para R$ 60, praticamente metade.
Entre as quatro linhas de ônibus à disposição, o executivo, que irá direto para o aeroporto, custará R$ 12 e terá partidas em intervalos de 5, 10 ou 15 minutos, dependendo do quadro de horários dos embarques aéreos.
Outra alternativa será o microônibus, também ao custo de R$ 12, sendo R$ 6 para quem for até o aeroporto da Pampulha e outros R$ 6 para quem seguir até Tancredo Neves. Outro ônibus sairá da rodoviária, ao custo de R$ 5,25. E a última opção é um ônibus urbano para o município de Confins, que parte da rua Caetés com Olegário Maciel, com tarifa de R$ 3,10. Ambos têm paradas durante o percurso.
Melhor alternativa - Mesmo com os descontos oferecidos pelo transporte de táxi, valerá mais a pena ir de carro particular, pelo menos para quem for passar apenas um dia fora. Para quem optar por um táxi, a despesa de ida e volta será de no mínimo R$ 120. De carro, a pessoa vai gastar R$ 12 pela diária do estacionamento de Confins, e cerca de R$ 11,20 com gasolina (ida e volta). Ou seja, uma diferença de R$ 96,80, equivalente a 417%. As contas, feitas pela reportagem, consideram o preço médio do combustível a R$ 2,08, informado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), e a distância de 38 Km entre o centro de Belo Horizonte até o aeroporto, para um carro que faz 14 Km por litro.
A maior preocupação dos usuários é em relação ao tempo e aos custos. Mas até a decisão ser concretizada, muitos outros obstáculos ameaçaram a migração, que foi adiada por duas vezes. A princípio, a mudança estava prevista para o dia 1º de dezembro de 2004. Entretanto, a pedido do prefeito Fernando Pimentel, o DAC adiou por 90 dias para que as obras de sinalização, iluminação e recapeamento da MG-10 fossem finalizadas.
O prazo terminaria no dia 1º de março, mas foi adiado mais uma vez, para ajustes técnicos. Segundo a Infraero é importante que a transferência ocorra em um domingo, para evitar transtornos.
A mudança já estava em pauta há anos, mas ganhou força no ano passado, quando os vôos comerciais do Rio de Janeiro saíram de Santos Dumont e foram para o Galeão. Essa mudança colocou a legislação em evidência e acelerou o processo em Belo Horizonte. De acordo com a letra E do artigo 2.3, os vôos de fretamento, partindo ou chegando no Aeroporto Santos Dumont (RJ), só poderão ser operados por aeronaves turbo-hélice com capacidade de até 50 assentos.
Dessa forma, os vôos com mais de 50 passageiros tinham que ser transferidos para o Galeão (RJ). “Como os aeroportos centrais só podem operar entre si, o da Pampulha, que é o central em Belo Horizonte, não poderá receber vôos com mais de 50 passageiros vindos do Galeão e, pela lógica, eles devem ser transferidos para Confins”, esclareceu o diretor do Sindicato dos Nacional dos Aeroportuários (Sina), Leandro Castro Pinheiro.
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