As taxas de crescimento de curto prazo que observamos são obviamente não sustentáveis. Nenhum país do mundo sustenta taxas de crescimento de 20-30% do seu transporte anual sem que isso seja impactado pela oferta de insumos, em especial de mão de obra e aeronaves, a infraestrutura e o meio ambiente.
Mas qual é a taxa de crescimento sustentável do transporte aéreo no Brasil, isto é, aquela que não impacta o nível de serviço dos aeroportos? Eu diria zero, atualmente. A não ser por aeroportos mal explorados pelo país afora.
Folha de São Paulo
São Paulo, sexta-feira, 29 de julho de 2011
DE SÃO PAULO
A taxa de crescimento do mercado brasileiro de aviação não é sustentável, nem no curto prazo, se não forem feitos investimentos para aumentar a capacidade dos aeroportos, na avaliação de analistas ouvidos pela Folha.
"Sem as melhorias esperadas, um crescimento de dois dígitos fica insustentável já a partir do ano que vem", afirma Rogério Dequeche, sócio-diretor da Go4! Consultoria de Negócios.
"As pessoas vão se obrigar a viajar em horários menos convenientes, mas, certamente, isso não vai ser suficiente para manter o nível de expansão atual", afirma.
Um estudo da consultoria McKinsey, encomendado pelo BNDES no ano passado, mostrou gargalos em 13 dos 20 principais aeroportos do país.
O levantamento indicava a necessidade de um volume de investimento de R$ 25 bilhões a R$ 34 bilhões em infraestrutura, até 2030, para atender uma demanda estimada em 310 milhões de passageiros.
Em junho, o governo anunciou que vai passar, à iniciativa privada, a administração dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.
Pelo modelo de concessão, as empresas interessadas ficarão responsáveis pelas obras de ampliação e vão dividir a operação dos aeroportos com a Infraero, que ficará com uma participação de até 49%.
A previsão é que os editais sejam publicados até o fim do ano.
"Se não houver o aumento da capacidade dos aeroportos, as tarifas vão subir mais e a aviação voltará a ser um transporte de elite", afirma André Castellini, sócio da Bain & Company, consultoria de aviação.
"Sem investimento, haverá uma diminuição na taxa de crescimento do setor e um aumento no valor das tarifas já nos próximos dois anos", diz. (CM, MS E GB)
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