terça-feira, 20 de agosto de 2013

Alta do dólar ajuda a frear crescimento do setor aéreo

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Segundo analistas, economia lenta é apontada como principal causa da queda do número de passageiros em vôos domésticos no Brasil Foto: Shutterstock
Segundo analistas, economia lenta é apontada como principal causa da queda do número de passageiros em vôos domésticos no Brasil
Foto: Shutterstock
O número de brasileiros em voos domésticos caiu 0,12% no primeiro semestre de 2013, em comparação com o mesmo período de 2012, conforme levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). É a primeira vez em dez anos que há uma queda. O ritmo lento de crescimento da economia brasileira, o encarecimento do dólar e o endividamento da classe média são apontados por analistas como os principais fatores da diminuição de embarques e desembarques.
A movimentação de aeronaves também sofreu queda nesse semestre, de 5,35%. Os dados incluem estatísticas dos aeroportos administrados pela Infraero e de Viracopos, Brasília e Guarulhos. Para o consultor técnico da Abear, Adalberto Febeliano, a economia lenta do País é a principal causa para o setor aéreo ter parado de crescer.
O transporte aéreo tem sua demanda derivada de outros setores da economia, por isso é afetado pelo desenvolvimento do País. “As empresas aéreas já vinham controlando a oferta de voos para melhorar a lucratividade. Então, a economia parou de crescer e afetou diretamente o setor, que no momento está estável”, explica Febeliano.
Já de acordo com a economista e pesquisadora do Núcleo de Economia dos Transportes, Antitruste e Regulação (Nectar) Rogéria de Arantes Gomes, o aumento atípico da demanda no setor pela classe média nos últimos anos também foi responsável pela estagnação do setor aéreo. Não se tratava de uma demanda de viajantes frequentes, mas sim consumidores que utilizaram instrumentos de crédito para adquirir passagens. Com o endividamento da classe, era esperado que houvesse uma diminuição desses viajantes.
O encarecimento do dólar no primeiro semestre também influenciou a queda de passageiros, pois 70% dos gastos do setor são fortemente atrelados à moeda. Uma grande parte dos custos das empresas aéreas, como compra de combustível, manutenção de peças dos aviões, prestações e seguro das aeronaves, é calculada em dólar. Recentemente, o dólar ultrapassou a barreira dos R$ 2,30, apesar dos esforços do Banco Central de controlar a moeda.
Com o aumento da taxa de câmbio, os impactos sobre os custos das companhias são diretos. E sobem os preços das passagens aéreas. Houve também um aumento considerável na demanda dos voos nos últimos anos, com a ascensão da classe C, o que por si só pressionou os preços para cima.
Projeção para o segundo semestre
Para Rogéria, no segundo semestre, as empresas aéreas irão se adaptar à queda com medidas como redução de voos, tentativas de code share (mudança de companhia aérea conforme os assentos livres) e demissões no setor. Já a longo prazo, as consequências dependem do desenrolar das medidas tomadas nesse primeiro momento.
“É esperado que, com o tempo, o setor se recupere, assim como a economia. Quando isso vai ocorrer é difícil dizer, pois depende de fatores macroeconômicos internos e externos”, afirma. Quanto às companhias aéreas, o momento é de adequação. “As empresas têm focado suas ações em redução de custos e muito pouco se faz para a atração de consumidores. Há espaço para que atuem nessa linha, apresentando mais vantagens aos consumidores”.

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