Hub mais próximo da Europa e operador ‘classe A’ darão à Capital potencial para captar as melhores oportunidades após a retomada da economia
11.11.2017
Diário do Nordeste - Armando de Oliveira Lima
Ser o primeiro aeroporto do Nordeste a fechar parceria com um grupo aéreo para a instalação de um centro de conexão de novos voos e contar com um operador considerado de “classe A” no mercado internacional são os principais fatores que levarão o Aeroporto Internacional Pinto Martins à linha de frente da aviação brasileira, capaz de captar as melhores oportunidades da Região, com uma condição: a retomada da economia no País.
“O Aeroporto de Fortaleza sai na frente dos demais terminais sem dúvida. O fato de ser o primeiro hub oficial do Nordeste entre a Europa e o Brasil irá facilitar o desenvolvimento do Aeroporto e da Região”, declara Luis Felipe de Oliveira, o diretor executivo da Alta ( Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe, em português). As condições em que se forjou o cenário da aviação em Fortaleza – desde a elaboração do leilão de concessão, passando pelas legislações de apoio ao setor, até os acordos com companhias aéreas – proporcionaram uma expectativa de futuro promissor no Estado reconhecida por todos os que compõem o segmento.
“Olhando para Fortaleza, a perspectiva é excelente, dado que se tem um operador ‘classe A’, internacional, e se trata do grande aeroporto do Nordeste, que está sob a mira da maior empresa aérea do Brasil para fazer um hub (Latam)”, afirma Alessandro Oliveira, pesquisador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (Nectar-ITA).
Para garantir o sucesso de todo esse plano, os agentes tentam antever os problemas e garantir a manutenção das expectativas. Não à toa, governo e Município aprovaram leis de benefícios fiscais para qualquer área disposta a instalar um hub na Capital e a própria Fraport conseguiu aprovação do Plano de Transferência Operacional (PTO) na Anac antes do prazo previsto – foi, inclusive, a primeira das concessionária do último leilão a ter o documento aprovado.
Competitividade
Toda a articulação indica que o Aeroporto de Fortaleza saia na frente dos demais da Região, garantindo a infraestrutura e negócios no momento em que os principais concorrentes passam por fases não favoráveis. “Entre Fortaleza e Recife, você tem esse ganho que Fortaleza vai estar na frente”, indica o pesquisador do Nectar-ITA, referindo-se ao adiamento da concessão do Aeroporto Gilberto Freire, em Pernambuco, e a consequente dificuldade do equipamento em disputar novos voos, como o ainda desejado hub da Latam para o Nordeste.
Sobre o outro concorrente nesta disputa, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, a impressão não é tão boa. O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) na área de transporte aéreo e aeroportos, Jorge Leal de Medeiros, comparou o terminal a algumas torres de energia eólica no Nordeste, que são eficientes, mas não tinham como transmitir a energia elétrica gerada. “Hoje em dia, chegou ao ponto que tem pessoas que vão para praias no Rio Grande do Norte, mas preferem ir por João Pessoa. Uma das coisas importantes para o aeroporto é a ligação com os modais. Transporte aéreo é por excelência multimodal”, sentencia o professor sobre a principal deficiência do aeroporto potiguar.
Na maré contrária a Natal e Recife, o diretor executivo da Alta destaca Fortaleza pela captação dos voos do Grupo Air France-KLM e Gol ainda no período em que a concessão não está plena – a Infraero ainda divide a administração do Aeroporto com a Fraport – e principalmente por abrir portas para conectar a Capital com a Europa e prover “a alimentação para a Gol, que tem uma aliança com a Air France-KLM, de conexões para várias cidades do Nordeste como Maceió, Recife, Salvador, Belém e Manaus”.
Retomada
No entanto, mesmo reconhecendo o sucesso do processo de concessão do Aeroporto de Fortaleza – “com ágio excelente” – “em plena crise”, o pesquisador do Nectar-ITA é categórico: “Em termos de solidez, obviamente, nós imaginamos que, no País, é um momento de transição. Todas as melhorias em termos de eficiência e qualidade de nível de serviço nesse momento são investimento para um futuro próximo, quando o País voltar a crescer e as companhias aéreas voltarem a crescer e atuarem fortemente”.
Alessandro Oliveira observa que “a expectativa é que os aeroportos privatizados sejam os primeiros a se recuperar da crise” e a crença das companhias aéreas de que um operador privado proporcione liberdade e flexibilidade às operações ajudam no momento da retomada da economia. O pesquisador acrescenta ainda que “a Infraero já tinha perdido a capacidade de investimento tanto na expansão quanto mesmo nas melhorias de qualidade”, e, “olhando a administração privada a gente vê que o negócio está sendo alavancado rumo à melhoria do nível de serviço global”. “Enfim, com a retomada do crescimento econômico o aeroporto privado que é operado por quem sabe, quem conhece o setor, tende a crescer primeiro, tende a vir a se recuperar mais rápido e daí vai gerar mais emprego rapidamente, e isso é muito interessante porque o transporte aéreo é gerador de emprego”, diz o pesquisador.
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