sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Fortaleza é a 5ª cidade do País em número de voos internacionais

Por Carolina Mesquita - Diário do Nordeste

De acordo com dados da Embratur, de janeiro a outubro, a Capital registrou 1.086 voos internacionais, 52,1% a mais que igual período do ano passado. Secretário estima que até março terminal suba mais uma colocação

Um ano e meio após a inauguração do centro de conexões da Air France-KLM e Gol no Aeroporto de Fortaleza, o terminal já é o quinto aeroporto do País em número de voos internacionais. De janeiro a outubro deste ano, foram 1.086 voos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), crescimento de 52,1% em relação a 2018.

Com o volume, o terminal aeroportuário da Capital garantiu a primeira posição no Nordeste. No Brasil, ficou atrás apenas de Brasília (1,6 mil), Porto Alegre (1,7 mil), Galeão no Rio de Janeiro (9,6 mil) e Guarulhos em São Paulo (28,5 mil).

Apesar da divulgação da Embratur, a Fraport, concessionária do Aeroporto de Fortaleza, aponta que foram 1.329 voos regulares partindo de Fortaleza no período, representando um crescimento de 56,91%. A diferença nos dados pode acontecer uma vez que a Embratur utiliza as informações repassadas pelas companhias aéreas, enquanto a concessionária tem acesso total às operações.


A Fraport acrescenta que "estamos muito felizes com este resultado, que é fruto do sucesso do hub Air France KLM e, certamente, consequência das melhorias na infraestrutura que estamos implementando no aeroporto". A nota ainda reforça que "Fortaleza possui uma localização estratégica para conectar o Brasil com o exterior". O professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Cláudio Jorge Alves, atribui o grande volume de voos internacionais em Fortaleza justamente ao hub da Air France-KLM e Gol.

"Esses dados mostram que alguns paradigmas foram quebrados. O hub do Nordeste deu essa crescida gigantesca na malha aérea internacional de Fortaleza", avalia o professor. "São grandes evoluções. Quem tinha quase nada passou a ter quase tudo", diz.

Macroeconomia

Alessandro Oliveira, pesquisador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do ITA, observa que, além dos efeitos gerados pela instalação do centro de conexões, a recuperação da economia também contribuiu para os resultados. "Os números de Fortaleza para o internacional vêm saltando aos olhos há algum tempo. Contribui pra isso a retomada lenta da economia, as expectativas do consumidor, que aos poucos vão se acertando. O consumo de viagens para o exterior que vai se fortalecendo", afirma.

Ainda assim, Oliveira ressalta que a melhora nos indicadores macroeconômicos por si só não são suficientes para justificar tamanho progresso. "Mas não dá para explicar Fortaleza por qualquer que seja o critério econômico geral. Tem que pensar nas expectativas das companhias aéreas, no aeroporto como um hub, no fluxo de passageiros em trânsito", explica o pesquisador.

Entre os fatores estruturais que beneficiam o Aeroporto de Fortaleza estão a posição geográfica do Ceará, o fato de o terminal ter sido um dos primeiros a serem concedidos à iniciativa privada, a parceria da Gol - empresa com o maior market share do País - com companhias estrangeiras. "Tudo isso que se reporta desde o anúncio do hub da TAM, todos esses fatores estruturais salpicados com a questão dos novos voos, induz a demanda", acrescenta Oliveira.

Assentos

Segundo a Embratur, o número de assentos em voos internacionais partindo de Fortaleza avançou junto com as frequências. Foram 249.360 lugares de janeiro a outubro deste ano contra 167.243 de 2018, uma variação de 49,1%. Apenas em outubro deste ano, foram 28.759 - 27,66% a mais que em igual mês do ano passado.

Oliveira afirma que a taxa de câmbio tem sido a principal barreira na alta de brasileiros indo ao exterior. "Quem viaja para o exterior tem uma folga orçamentária mesmo em período de crise. O dólar que é o grande problema, a taxa de câmbio acaba sendo o grande empecilho".

A moeda fechou a quinta-feira (14) - último pregão da semana - com alta de 0,15%, alcançando o segundo maior nível da história, cotado a R$ 4,193, para a venda. A cotação é a segunda maior desde a criação do real.

Travas e apostas

Cláudio Jorge Alves, professor do ITA, lembra a suspensão das aeronaves da Boeing 737-MAX, que faziam os voos diretos da Gol para os Estados Unidos saindo de Fortaleza. "Também tivemos a saída da Copa e Condor de Fortaleza. Mas o problema do (737) MAX me parece estar se encaminhando para uma solução. É muito provável que, em breve, as frotas seja recompostas. Se o problema continuar, quem pode se prejudicar é a Boeing em relação a Airbus".

O secretário do Turismo do Ceará, Arialdo Pinho, admite que o terminal poderia estar em uma colocação melhor caso não houvesse o problema com 737 MAX. "Mas o MAX volta em janeiro e também entra a Air Europa com a rota para Madrid em dezembro. Na próxima pesquisa já estaremos melhor", aponta. De acordo com ele, entre fevereiro e março, o aeroporto de Fortaleza deve ultrapassar o de Brasília e assumir o quarto colocado do País em malha aérea internacional.

"É importante a gente liderar o Nordeste. Sempre fomos abaixo da Bahia e Recife. Hoje somos líder e é importante, pois demonstra que nosso planejamento estratégico está dando certo", acrescenta. "Com a Aena assumindo os aeroportos que arrematou, a disputa deve ficar mais acirrada, mas o que traz companhias aéreas é o destino. Existem estados vizinhos com aeroportos bons, já operado por empresas privadas e que não possuem a malha aérea que temos, destaca Arialdo".

Em relação ao ritmo de crescimento, o professor do ITA prevê que as taxas não continuarão a ser tão altas. "Acredito que o aeroporto mantenha um certo crescimento, mas vai ser tão forte quanto a economia e a atratividade do turismo, caso novos episódios com segurança, por exemplo, não manchem a imagem de Fortaleza".

Mas ele diz que o terminal tem espaço para seguir se destacando. "Se os números continuarem vigorosos, é possível que novas companhias se interessem pelo destino ou as próprias companhias já atuantes aumentem as frequências. Normalmente, a cada seis meses, as aéreas repensam tudo".

Oliveira, por sua vez, diz que não é possível mensurar ainda a velocidade com que o número de voos continuará crescendo. "É difícil falar de restrições a esse crescimento nesse momento porque a gente está fazendo uma pequena retomada, com a expectativa dos passageiros, o Governo vai aprovando reformas e o mercado financeiro acalmando as expectativas. Mas essas taxas vultosas indicam que a estratégia de privatização e constituição do hub está sendo bem-sucedida".

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