Por: Gladys Ferraz Magalhães, 26/01/09 - 10h48. InfoMoney.
SÃO PAULO - Quem viajou de avião, nos últimos nove meses, para países sul-americanos não encontrou reduções significativas nos preços das passagens aéreas, conforme prometia a liberdade tarifária.
"Estamos sempre checando os preços e eles continuam na mesma média. Primeiro, por uma questão de oferta e procura, já que, até o fim de 2008, o interesse por destinos sul-americanos estava muito forte", explicou, segundo publicado pela Agência Brasil, o diretor de assuntos internacionais da Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagens), Leonel Rossi Júnior.
Liberdade tarifária
Implantada no mês de março do ano passado, a liberdade tarifária ocorreu de forma gradual, atingindo a liberação total de tarifas para destinos da América do Sul, no mês de setembro. Desde então, as empresas que trabalham com tais rotas não precisam mais observar o percentual máximo de descontos, antes imposto pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Na ocasião, embora a concessão de descontos não fosse obrigatória, a Agência afirmava que a medida serviria para corrigir distorções entre os valores de bilhetes praticados no Brasil e no exterior, onde as companhias podem fixar preços livremente.
Entretanto, informa a Agência Brasil, verificando na internet os preços cobrados aqui e nos países vizinhos, é possível observar que as passagens para quem embarca no país ainda continuam mais caras, mesmo que se comparando a mesma empresa aérea.
Preços
Um exemplo é a tarifa de ida e volta de US$ 529 (sem taxas) cobrada pela Taca, para voar de São Paulo a Guaiaquil, no Equador, entre os dias 3 e 13 de fevereiro. Por outro lado, quem embarcasse em Guaiquil pagaria US$ 399.
A mesma situação ocorre nos voos entre São Paulo e Caracas. Embarcando lá, o passageiro gastaria, ida e volta, US$ 689, enquanto, saindo da capital paulista, o montante somaria US$ 891.
Na opinião do diretor executivo do Néctar (Núcleo de Economia dos Transportes Antitruste e Regulação), do ITA (Instituto Tecnológico Avançado), Alessandro Oliveira, é complicado comparar preços, pois deve-se considerar a situação econômica de cada país.
"Cada lugar é um lugar. Pode haver demanda com características distintas e, por causa disso, as companhias cobram preços diferenciados. Justamente para poderem oferecer melhores condições aos passageiros mais sensíveis ao preço e obterem lucros com aqueles clientes que topam e podem pagar mais caro por uma passagem", disse, segundo a Agência Brasil.
Anac
A Anac informou não possuir qualquer estudo que possa informar o impacto da liberdade tarifária no bolso do consumidor. Entretanto, segundo a assessoria da Agência, promoções eventuais ocorreram desde a entrada em vigor da lei e devem se intensificar após o período de alta temporada.
Para Rossi, as promoções não têm ligações com a liberdade tarifária, pois ocorriam muito tempo antes. No mais, afirma ele, mesmo esta redução não atingiu às expectativas inicialmente divulgadas.
"Durante um final de semana, quando há menos executivos viajando, ou fora da alta temporada, os preços podem cair um pouco, mas nunca tanto quanto o que era esperado. As reduções chegam, em média, a 15% ou 20%, no máximo, mas somente durante as promoções. E essas tarifas são difíceis de se conseguir, já que as empresas disponibilizam poucos assentos", disse Rossi.
Já Oliveira acredita que somente conceder liberdade tarifária não é o suficiente para reduzir preços. "Aparentemente, a Anac desregulou o mercado, mas as empresas continuam adormecidas. Com isso, podemos dizer que os preços não caem somente devido à desregulamentação. É preciso garantir que novas empresas entrem ou se expandam no mercado."
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