Houve tempo em que operar no transporte aéreo brasileiro era coisa de maluco. Com sucessivas crises que levavam as margens de lucro a seguir um padrão de montanha russa (intervalo de -15% a +15% de resultado operacional), apenas as companhias que já atuavam no setor há décadas, viciadas pela constante intromissão política, é que ousavam manter operações.
Os tempos são outros, diriam muitos. Pelo estudo da Economática, apresentado na notícia abaixo, temos as companhias aéreas mais lucrativas das américas. Como diria o presidente, "nunca antes na história deste país isso aconteceu", temos empresas mais lucrativas que a campeã de lucratividade de todos os tempos, a Southwest Airlines. É ou não é para se comemorar?
Esses fatos são típicos da Lulolândia em que vivemos - chamo de "Lulolândia" aquele país das maravilhas, que é melhor que todos os outros em tudo, que sobreviveu a todas as crises financeiras mundiais e erradicou a miséria, que é a potência de hoje, não mais o eterno "país que vai pra frente" dos militares. Tudo nesse país DÁ certo e, portanto, tudo ESTÁ certo. Não há nada errado. Espero que ninguém que esteja me lendo acredite realmente nisso...
Para entendermos melhor o tema, basta lembrar que temos um mercado aéreo ainda fortemente concentrado, em que as duas grandes empresas dominam os principais aeroportos. Poder de mercado de sobra, isso elas têm. Se isso gera lucratividade? Decerto que sim, dadas as barreiras à entrada em mercados lucrativos. São empresas extremamente eficientes, diga-se de passagem. Parabéns para o país, que soube desregular o seu transporte aéreo ao longo da década de 1990.
Mas, um alerta: os ganhos da desregulação podem estar se dissipando rapidamente. Ainda mais porque a infraestrutura aeroportuária está em regime de inércia, enquanto o transporte aéreo só faz crescer. Sem reformas, corremos sérios riscos de perder o que conquistamos: um transporte aéreo mais competitivo. Lembremos: a Southwest é lucrativa seguidamente, há quarenta anos. E com preços baixos!
Folha Online
14/04/2010 - 11h22
TAM é aérea mais lucrativa da América Latina e EUA; veja ranking
da Reportagem Local
A companhia aérea TAM foi a empresa do setor mais lucrativa em 2009 entre as similares da América Latina e Estados Unidos, a Gol ficou em segundo lugar, de acordo com levantamento da consultoria Economática.
O estudo considerou 11 empresas de capital aberto do setor de transporte aéreo regular. A TAM fechou 2009 com US$ 771 milhões, seguida pela GOL, com US$ 493 milhões.
A LAN Chile ficou em terceiro no ranking com US$ 231,4 milhões. Todas as demais companhias aéreas são dos EUA.
No ano de 2008 a mais lucrativa tinha sido a LAN Chile com US$ 339,6 milhões. A Gol tinha a quinta colocação e a TAM a sexta colocação.
Para o calculo do lucro a Economatica considerou os relatórios encaminhados à CVM ou similar de cada país e converteu os valores originais pelo dólar do dia 31 de dezembro de 2009 e 2008 respectivamente, no caso do Brasil, foi utilizado o dólar Ptax Venda.
Aérea // Resultado em 2008 // Resultado em 2009
TAM // -US$ 581,9 milhões // US$ 771 milhões
Gol // -US$ 529,3 milhões // US$ 493 milhões
LAN Chile // US$ 339,6 milhões // US$ 231,4 milhões
Southwest Airlines // US$ 178 milhões // US$ 99 milhões
Skywest // US$ 112,9 milhões // US$ 83,6 milhões
Jetblue // -US$ 76 milhões // US$ 58 milhões
US Airways // -US$ 2,2 bilhões // -US$ 205 milhões
Continental Airlines // -US$ 585 milhões // -US$ 282 milhões
Ual Corp // -US$ 5,3 bilhões // -US$ 651 milhões
Delta Airlines // -US$ 8,9 bilhões // -US$ 1,2 bilhão
AMR // -US$ 2 bilhões // -US$ 1,4 bilhão
Para realmente saber a lucratividade, é preciso comparar o resultado operacional e EBITAR - e no mesmo sistema contábil. O resultado final sofre efeitos contábeis, fiscais e financeiros. O importante é saber se a operação está gerando lucro.
ResponderExcluirE se as empresas brasileiras estão sendo operacionalmente lucrativas, ótimo! Se o mercado hoje é concentrando é porque TAM e GOL se profissionalizaram, investiram em frota, aproveitaram a oportunidade com as falências de outras e os governos não investiram na infraestrutura.