TAM entra para Star Alliance e prevê alta imediata na receita
Ana Paula Machado (amachado@brasileconomico.com.br)
Brasil Econômico
14/05/10 16:29
Depois de quatro anos de negociação, a TAM Linhas Aéreas entra na Star Alliance, a maior aliança de companhias aéreas do mundo.
Com isso, a empresa brasileira terá acesso a mais de 1,1 mil aeroportos em mais de 36 destinos. O maior benefício, segundo o presidente da TAM, Líbano Barroso, é o aumento do volume de passageiros transportados do Brasil para os países que fazem parte da aliança.
"No primeiro momento estimamos uma elevação de US$ 60 milhões na receita somente com os novos passageiros que entrarão em nosso sistema. Em dois anos, depois que estivermos efetivamente reconhecidos como companhia da Star na América do Sul, esse volume poderá aumentar entre 3% a 4%", disse.
O presidente da aliança, Jaan Albrecht, disse que outro benefício para a TAM é a redução de custos operacionais nos aeroportos que fazem parte da aliança. Já para a Star, a grande vantagem é ter mais destinos na América do Sul e principalmente no Brasil, um dos mercados que mais crescem no mundo.
"Estamos voltando para casa. Com a entrada da TAM na aliança, o Brasil mais uma vez faz parte desse grupo que prima pela segurança e pelo bom atendimento ao passageiro", disse Albrecht.
Há treze anos, a Varig, então companhia de bandeira do Brasil, foi uma das empresas que fundaram a Star Alliance, mas com a crise financeira que decorreu com a sua concordata, a companhia saiu da aliança em 2006, abrindo espaço para a TAM.
"Num escritório da TAP em Paris, nós nos reunimos em 2006 para as primeiras conversas. Saímos com a certeza de que faríamos tudo para integrar essa aliança", disse o vice-presidente comercial, Paulo Castello Branco.
Infraestrutura
Com a entrada da TAM, a Star já conversa com o governo brasileiro para transformar o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), no hub da aliança na América do Sul.
"Estamos pleiteamos junto à Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) para que o terminal 3 que será construído em Grarulhos seja dedicado à Star Alliance. Assim, todas as companhias pertencentes à parceria deverão ser alocadas nesse terminal", disse Barroso.
Segundo ele, o projeto da construção do terceiro terminal em Cumbica já tem licença ambiental e as obras começarão assim que a Infraero terminar a licitação do projeto. A previsão é que estejam concluídas em 2013.
Ainda segundo Barroso, há outra solução mais rápida, o terminal MOP, uma estrutura pré-moldada, que estará pronta em 2011. "Entretanto, é bom ressaltar que essa obra não atenderá por inteiro os pleitos da Star", afirmou.
O presidente da TAM adiantou ainda que além dos novos voos com a entrada da TAM na Star Alliance, a companhia já entrou com um pedido junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para um linha entre São Paulo e Bogotá, no terceiro voo internacional que a empresa iniciaria neste ano.
"Entramos com o pleito esta semana e esperamos que até o fim do ano possamos começar esta rota. Será um freqüência diária entre São Paulo e Bogotá. A Colômbia é um mercado que tem um potencial de crescimento interessante, além de aumentarmos a nossa presença na América Latina", ressaltou Barroso.
Quanto ao projeto de lei que tramita no Congresso sobre o aumento de capital estrangeiro nas companhias brasileiras, Barroso ressaltou que é uma tendência de mercado, mas que a TAM ainda não tem planos de buscar um parceiro estratégico para suportar a expansão do mercado mundial e a concorrência de grandes players.
"Passar de 20% para 49% a participação estrangeira é viável e isso é uma tendência que o Brasil não pode ficar de fora. Entretanto, ainda não definimos como será essa elevação na TAM, nem se aumentaremos as ações negociadas em bolsa ou se partiremos para um parceiro. Isso será definido com o tempo."
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