sábado, 25 de junho de 2016

A nova rota da aviação civil

Diário do Nordeste, 25/6/2016
(Matéria premiada no Prêmio ANAC 10 Anos - 2016)

A nova rota da aviação civil

A concessão de terminais é a solução apontada por especialistas e pelo governo para
que a infraestrutura aeroportuária acompanhe o aumento do fluxo de passageiros

Por Yohanna Pinheiro e Raone Saraiva

Foi no início da década de 2000, quando a desregulamentação do setor aéreo foi
realizada e as companhias passaram a ter a liberdade para tarifar voos e definir novas rotas, que
uma parcela maior da população brasileira conseguiu ter acesso a um meio de transporte que,
anteriormente, era limitado às elites.

O número de passageiros cresceu exponencialmente com a redução dos preços de voos,
mas os aeroportos não acompanharam o aumento da demanda. Para recuperar o atraso, o
governo deu início, em 2011, às concessões dos terminais à iniciativa privada para agilizar a
alocação de investimentos no setor e adequar a infraestrutura aeroportuária à nova realidade.
Nesse ínterim, se insere o Aeroporto Internacional de Fortaleza – Pinto Martins, incluído
no último pacote de concessões lançado pelo governo e potencial receptor do centro de
conexões aéreas da Latam Airlines. Com o desenvolvimento acentuado da aviação civil, a
economia do Ceará tem a oportunidade de decolar em novas direções.


Dinamização do setor

Economias locais terão chance de decolar

Além de investimentos e geração de empregos, o transporte aéreo de passageiros leva renda para as cidades “Com o aumento da concorrência do setor aéreo, um transporte que antes era visto como da elite passou a ser utilizado em massa.”

Seja uma metrópole ou uma cidade interiorana com economia crescente, a existência de um aeroporto funcional em suas imediações é peça fundamental para a dinamização da atividade econômica local. Além dos investimentos realizados no empreendimento e consequente geração de emprego e renda, por ali passam milhares de turistas e profissionais que fomentam toda uma cadeia de turismo e serviços. De acordo com o professor Alessandro Oliveira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o setor aéreo tem alavancagens múltiplas na cadeia produtiva, uma vez que seu crescimento demanda mais insumos, mão de obra e aviões, gerando empregos diretos e indiretos. “Além disso, transporta para a cidade passageiros que têm um gasto médio por dia, induzindo a atividade de hotéis, restaurantes, centros de convenções. A economia local é alimentada com mais renda”, observa. A dimensão desse impacto se deve ao exponencial crescimento do setor, observado nas últimas décadas, principalmente, após sua desregulamentação nos anos de 1990. “O governo ditava as condições de compra e venda, fixava preços de tarifas, rotas. Isso mudou no começo dos anos 2000, o que trouxe concorrência e competitividade ao setor, de forma que as companhias ficaram livres para precificar e estabelecer suas frequências de voo”, explica Oliveira.

Democratização

Para o consumidor, isso significou preços mais baixos e melhores condições para voar. Um meio de transporte que antes era considerado da elite passou a ser utilizado pelas massas: enquanto o setor rodoviário interestadual foi responsável pelo deslocamento de 47,8milhões de passageiros em 2015, mais de 96,1 milhões foram transportados em rotas domésticas da aviação civil no mesmo período, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Crescimento

 O novo mercado possibilitou o crescimento das empresas aéreas existentes e o surgimento de outras companhias. Enquanto a Latam (antes chamada de TAM) e a Avianca (antiga OceanAir) sobreviveram e ampliaram suas atuações em meio às mudanças, a Gol e a Azul, fundadas na primeira década de 2000, prosperaram em um ambiente já desregulamentado. Um fato complicador, entretanto, foi o não acompanhamento do aumento da demanda pela infraestrutura aeroportuária brasileira. “O mercado cresceu muito a partir da concorrência de preço, mas os aeroportos não acompanharam. Começaram a ter grandes congestionamentos, até que o governo percebeu que tinha que privatizar aeroportos”, aponta o professor.

Agora, o setor está nessa nova fase de concessão dos equipamentos à iniciativa privada, na qual, em breve, estará incluído o Aeroporto Internacional de Fortaleza. “Por mais que uma cidade já seja muito turística, ela precisa se manter ativamente e firmemente competitiva. Quanto mais transporte aéreo, melhor para a cidade”, diz Oliveira.


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