terça-feira, 6 de agosto de 2019

Com saída da Avianca, preços de Latam e Gol na ponte aérea disparam até 61%

Maeli Prado , 6 Minutos - São Paulo

Entre março e maio, período em que a Avianca saiu do mercado, as tarifas médias de Latam (novo nome para a TAM) e Gol dispararam na ponte aérea Rio/São Paulo. Sem a Avianca, as duas companhias são as únicas que fazem o trecho.

Dados levantados pelo 6 Minutos na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram que a companhia que mais aumentou seus preços no trecho entre os aeroportos Santos Dumont, no Rio, e Congonhas, em São Paulo, foi a Latam (TAM).

Em março, a empresa praticou uma tarifa de R$ 494,52 na ponte aérea (os preços médios por passagem de ida e volta, somados). Esse valor saltou para R$ 796,9 em maio, após a derrocada da Avianca, uma alta de 61,1%, ou R$ 302,38.

No caso da Gol, a média da companhia para o trecho foi de R$ 541,6 em março e R$ 732,8 em maio, alta de 35%. Ou, em valores, R$ 191,2 de diferença.


Aviões da TAM (Latam) e Gol no aeroporto de Congonhas, em São Paulo (Crédito: Shutterstock)

Por que as tarifas na ponte aérea aumentaram tanto? O dólar aumentou no período. Como os custos das empresas aéreas são bastante impactados pelo câmbio, esse é um fator de influência.

Mas a principal razão é mesmo a saída da Avianca.

“Em geral, as tarifas aéreas aumentam por questão de custo e de concentração de mercado. Em custos, tivemos a movimentação do dólar, mas o que mais conta é a concorrência”, avalia o pesquisador Alessandro Oliveira, do Nectar-ITA (Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do Instituto de Tecnologia Aeronáutica). “A saída de um rival suaviza as pressões competitivas”.

A tarifa da Latam (TAM) aumentou mais do que a da Gol na ponte aérea. Qual a razão? Procurada, a companhia não se pronunciou sobre isso. Mas uma olhada na taxa de ocupação das duas empresas pode ajudar a responder a essa pergunta.

No caso da Gol, a taxa de ocupação dos assentos dos aviões nos voos entre Rio e SP entre março e maio subiu 10 pontos percentuais, para 77,8%.

No caso da Latam (TAM), essa mesma taxa cresceu 12 pontos percentuais, para 85,3% dos assentos ocupados. Uma teoria é que o passageiro que se tornou “órfão” da Avianca, por assim dizer, priorizou a Latam, o que pressionou mais a demanda (e os preços) na empresa.

Como as companhias decidem suas tarifas? Em primeiro lugar, é importante saber que o setor aéreo é campeão no uso do chamado “advanced analytics”, um tipo de software muitíssimo sofisticado que analisa, sem parar, a procura por voos no momento presente, ao mesmo tempo em que leva em conta o histórico de reservas naquele trecho.

Esses sistemas, que recomendam a melhor tarifa com base nessas análises, são programados para indicar as melhores decisões de tarifa do ponto de vista da receita da companhia aérea.

“[Em um caso como o da saída da Avianca] o próprio sistema começa a sinalizar que a demanda está mais forte desde a abertura do sistema de reservas”, afirma Oliveira. “Saindo uma rival, a pressão concorrencial some.”

O que deve acontecer com as tarifas daqui para a frente? A Anac redistribuiu os horários e os espaços da Avianca no aeroporto de Congonhas para a Azul, a Passaredo e a MAP. Com isso, a tendência seria de redução de tarifas.

Não se sabe, entretanto, quanto tempo levará para essas companhias assumirem esses voos, já que isso depende do redesenho das malhas e do direcionamento de aviões. No caso da Passaredo e da MAP, as empresas ainda precisam comprovar, até o dia 9 de agosto, que possuem capacidade técnica para assumir esses horários.

Além disso, pode haver uma pressão ainda maior sobre os preços daqui para a frente porque, tradicionalmente, o segundo semestre do ano é mais aquecido. Isso impacta as viagens de negócios, que respondem pela maior parte da demanda de passageiros.

“A ponte aérea vive muito de viagens a negócios, e é no segundo semestre que a demanda é mais forte e puxa os preços”, avalia Oliveira.

E o que dizem as companhias sobre esse aumento? O 6 Minutos procurou a Latam (TAM) e a Gol para pedir posicionamento das empresas sobre a alta de tarifas. Veja abaixo o que disseram:

Latam (TAM)

A companhia afirmou que é natural que ocorra aumento de preços quando há forte redução de oferta ou aumento da demanda. “[Isso acontece] principalmente considerando o cenário da crise da Avianca Brasil, onde (sic) muitas aeronaves deixaram de operar voos já programados, enquanto a demanda brasileira por transporte aéreo permaneceu inalterada”, diz resposta da companhia.

Gol

A empresa declarou que adota um modelo de precificação dinâmica, que permite que diferentes públicos tenham acesso ao transporte aéreo. “Este modelo tarifário faz com que os valores oscilem com o tempo e de acordo com a ocupação do voo, constantemente, tornando-as mais baratas quando a compra é feita com mais antecedência à data da viagem.”

06/08/2019 - 08:25

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