sábado, 6 de março de 1999

[Recordar é Viver] Reajuste deixa aviação em dificuldades

Estado de São Paulo, sábado, 6 de março de 1999

Alta do querosene, em razão da desvalorização da moeda, exige passagens mais caras

SUZANA SANTOS e GUSTAVO ALVES

RIO - O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéroviárias (Snea), brigadeiro Mauro Gandra, divulgou ontem um estudo sobre o impacto do aumento de 20% no querosene de aviação, da elevação de 2% para 3% da alíquota da Cofins e da desvalorização do real no preço das passagens domésticas. Considerando um cenário do dólar a R$ 1,90, a projeção é da necessidade de reajuste de 17,83%, em razão do reflexo na planilha de custos das companhias, que absorvem de 30% a 45% de custos em dólar. Foram feitos, ainda, estudos com outros dois cenários: um com a cotação do dólar a R$ 2,00 e outro a R$ 2,10. Na primeira hipótese, haveria necessidade de reajustar as passagens em 19,20% e na segunda, de 20,55%. Para o brigadeiro, a situação das empresas não é boa. Segundo ele, a venda de passagens de vôos domésticos caiu de 10% a 12% este ano e os internacionais, 40%. Esse fraco desempenho, somado à queda de 37,5% no preço médio das passagens domésticas em 98, não compensada com o aumento do número de passageiros, cria dificuldades para as companhias. Perdão - O brigadeiro informou que vai levar ao Departamento de Aviação Civil (DAC) pedido de perdão, por dois, das dívidas das empresas com tarifas da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). O presidente da Infraero, Eduardo Bogalho Pettengill, não se mostrou disposto a aceitar a proposta. Ele disse que as dívidas antigas serão pagas, "no máximo, na Justiça". Pettengil também confirmou o início, hoje, da cobraça, à vista, dos serviços da Infraero para grandes companhias nacionais devedoras, nos Aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio. Segundo ele, se o serviços não forem pagos, os passageiros dessas empresas serão transferidos para outras. O presidente da Infraero disse que não deve haver transtornos no funcionamento dos aeroportos com a cobrança. Segundo ele, no próximo fim de semana, a cobrança à vista será estendida para outras rotas ainda não definidas. (com Agência Estado)

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