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quarta-feira, 27 de outubro de 1999

[Recordar é Viver] Enlace de asas

Revista Veja, 1621, 27/10/1999
http://veja.abril.com.br/271099/p_166.html

Companhias aéreas negociam reestruturação
para sair do vermelho e enfrentar a concorrência

Silvio Ferraz

Cada vez que se ouve a palavra fusão, raios riscam os céus das companhias de aviação brasileiras. Desta vez, quem volta a agitar o cenário é Andrea Calabi, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, ao acenar com maior entusiasmo com a possibilidade de o governo financiar o casamento das endividadas companhias. No Ministério da Defesa há convicção de que existe empresa demais para passageiros de menos. Lá, o secretário executivo José Augusto Varanda mergulha com afinco na redação de uma proposta sobre o tema e promete enviá-la ao Congresso em quarenta dias. Não será a fusão por decreto, mas o primeiro passo: a criação da Agência Nacional da Aviação Civil, em substituição ao arcaico Departamento de Aviação Civil, DAC, controlado pelos militares. Varanda também quer que as grandes empresas sirvam somente às grandes rotas. As pequenas ficariam com as regionais. "De Porto Alegre a Manaus o vôo é um pinga-pinga insuportável", diz.

Fernando Pinto, presidente da Varig, não esconde preferir o vôo-solo. Afinal, ele enxugou a empresa e agora não quer peso morto no bagageiro de seus aviões. Reduziu a frota e as rotas, e o exército de 28.000 empregados caiu para 15.000. Rolim Amaro, presidente da TAM, a companhia que mais cresce nos céus brasileiros, também escolhe ficar sozinho. Mas seus olhos brilham de cobiça e a voz desce de tom quando fala da Transbrasil. "Empresa enxuta, com boa frota", comenta. A linguagem dos gestos faciais revela que, com a Transbrasil, Rolim subiria ao altar. Na mais endividada e que mais perde passageiros por minuto, a Vasp, paira a aceitação da fusão, mas essa só será uma alternativa viável se Wagner Canhedo, seu presidente, conseguir livrar-se de cerca de 200 milhões de dólares em dívidas com seu aval. Canhedo ainda mantém ares de vencedor: "Não estamos à venda, somos compradores".

Na indústria da aviação civil a modernização é imperativa. Mesmo mergulhada numa crise sem precedentes, a Varig não hesitou em anunciar a maior compra do setor no mundo, no ano passado. O mesmo fez a TAM, ao comprar 37 Airbus. "É modernizar ou definhar", afirma Rolim. A crença se reforça quando passa por Brasília, vindo do Chile, o secretário dos Transportes americano, Rodney Slater, batalhando para ver os céus brasileiros sem limites para as companhias americanas. "Será um desastre se isso ocorrer", declara o comandante Gelson Fochesato, presidente da Associação dos Pilotos da Varig.

Hoje, na cobiçada rota Brasil–Estados Unidos, as americanas, oferecem 98 vôos e as brasileiras, sessenta. Segundo Canhedo, cada vez que um de seus aviões decola para o exterior é um rombo a mais em suas finanças. "Eu precisaria que cada avião tivesse impossíveis 120% de aproveitamento para não ter prejuízo." A TAM de Rolim faz acrobacias em terra para vender um número de passagens internacionais que cubra os custos da viagem e ainda sobre algum. "Cada vez que abasteço um Airbus no Recife ou em São Paulo pago em impostos o equivalente a 50.000 litros de combustível." Enquanto as companhias aéreas americanas pagam 7,5% de imposto sobre suas operações e as européias 16%, as brasileiras desembolsam nada menos que 35%. O governo taxa, as empresas não pagam e as dívidas crescem. Os sucessivos planos de combate à inflação impuseram pesados prejuízos às empresas congelando o preço das passagens. São bilhões que se amontoam de lado a lado comprometendo a saúde das companhias e a segurança dos passageiros. A Vasp tem sido acusada de desmontar um de seus jatos MD11, estacionado no Aeroporto de Guarulhos, para repor peças que não poderia comprar por falta de dinheiro. Oficialmente, a Vasp informa que o MD11 está parado no pátio para manutenção de rotina.

quarta-feira, 11 de agosto de 1999

[Recordar é Viver] O pára-quedas da fusão

Revista Veja, 11/08/99
http://veja.abril.com.br/110899/p_120.html

Endividadas e com prejuízo, empresas aéreas
querem ajuda do governo para se fundir

Silvio Ferraz

Antônio Milena
Aeroporto de Cumbica: só duas empresas aéreas nacionais
devem sobreviver

O governo ainda não autorizou o pouso, mas já espalhou espuma na pista: quer que se materialize a fusão das atuais quatro empresas aéreas em duas. É que suas torres finalmente captaram o SOS dos comandantes da Varig, Vasp, Transbrasil e TAM, todas navegando entre gigantescos prejuízos. No último ano, as quatro companhias fizeram uma faxina nos vôos internacionais para evitar o pior. A Varig suspendeu vôos para Bangcoc, Hong Kong, Johanesburgo, Cidade do Cabo, Zurique e Porto. A Vasp deixou de voar para Atenas, Seul, Osaka e Aruba. A Transbrasil abandonou os vôos para Londres, Amsterdã, Viena, Nova York, Washington e Córdoba. E os aviões da TAM não pousam mais em Lima. As empresas reduziram em 33% a oferta de assentos para responder a uma queda de 34% na venda de passagens. Como se vê, voar dessa maneira já não dá mais.

A peregrinação ordenada, isolada e discreta desses executivos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES – a caixa do governo – já começou. Fernando Pinto, presidente da Varig, foi pedir 400 milhões de reais. Os outros, cada um de uma vez, sentaram-se à mesa com dois diretores do BNDES e engrossaram o coro do "se o bloco da fusão vai sair, quero desfilar". E mais: enfatizaram a necessidade de que a aliança venha logo.

No horizonte que se desenha, a Vasp e a Transbrasil desapareceriam dos céus brasileiros. Seriam absorvidas principalmente pela TAM e uma parte pela Varig. O governo acredita que há muito céu para pouco passageiro. Além dos Estados Unidos, nenhum país do mundo tem mais de duas empresas aéreas de grande porte. Não é financeiramente viável que as companhias disputem tão encarniçadamente um mercado relativamente pequeno: no ano passado foram 16,5 milhões de passageiros para uma oferta de 27,9 milhões de assentos. Fernando Pinto, presidente da Varig, está convencido de que não é possível continuar com quatro empresas competindo entre si principalmente nas linhas internacionais. O governo, pela primeira vez, despertou para essa realidade, mas considera impensável dar dinheiro dos contribuintes que não voam para os que voam, só para reduzir a turbulência.

A quem interessa a fusão? A todas as empresas. À TAM, o desaparecimento da Vasp significaria banir do espaço uma rival que luta de forma agressiva no mercado. À Vasp, interessa a seu dono, Wagner Canhedo, sair do complicado negócio em que se meteu ao arrematar a empresa em um dos pioneiros leilões de privatização, em 1990. Ele confessa nos gabinetes que quer salvar seu patrimônio pessoal comprometido em avais aos empréstimos dados à companhia. Ostensivamente, Canhedo desdenha a fusão. "O que queremos é um acerto de contas entre o governo e um setor da economia que emprega 100.000 pessoas e fatura 7 bilhões de reais por ano", discursa.

A Transbrasil, por sua vez, colocaria um ponto final na exaustiva ginástica de manter-se nos ares sem prejuízo. Depois de ter ganho uma indenização de 750 milhões de reais em uma ação na Justiça contra o governo por prejuízos causados por planos econômicos, a empresa continua a penar com o não cumprimento do acordo. O governo não paga o que deve. A Varig quer a injeção de recursos para sanear suas finanças, além de ficar mais robusta com o virtual monopólio das linhas internacionais. Ao governo interessa ver o setor aeronáutico cair na real, poupando-o de meter a mão no bolso a cada crise. Com tantos interessados, para o primeiro passo da fusão só falta marcar dia e hora.

"Se aos bancos, na época da implantação do real, foi lançado o Proer, um apoio de cerca de 20 bilhões de reais, não há por que não abrir um pára-quedas do tipo Proar, muito mais barato", argumenta o presidente de uma das companhias envolvidas. Ele acredita que a fusão das empresas em duas vá consumir, no final das contas, entre 3 e 4 bilhões de reais. O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, brigadeiro Mauro Gandra, observa que quem primeiro falou em fusão foi o governo. "Eles estão lançando balões-de-ensaio. É como se estivessem colocando uma cenoura na frente de um coelho."

Nos hangares convive-se com um risco que nem governo nem empresa podem correr impunemente: o sucatamento das frotas aéreas. O estoque de peças da Vasp definha. A Varig apresentou um pedido de recursos da ordem de 400 milhões de reais ao BNDES, retirando-o mais tarde sob alegação de que iria redimensioná-lo. Na realidade, trata-se de contornar a oposição da Fundação Rubem Berta, representante dos funcionários, que controla a companhia. Os funcionários não concordam em ceder uma parte das ações ao BNDES como garantia do financiamento.

A Transbrasil pede pouso em terra firme. Com seu fundador, Omar Fontana, afastado, a empresa vive um momento de equilíbrio financeiro, o ideal para ser vendida antes que volte a escorregar para o prejuízo. Aqui, segundo fontes do setor, o obstáculo seria Celso Cipriani, seu genro e presidente do conselho. Tanto Canhedo quanto ele pedem preços exorbitantes. Da ordem de duas centenas de milhões de reais cada um. "Aí não é fusão, é compra. E não valem isso", rebate um empresário do setor. "Vou comprar o quê? Aviões velhos e um gigantesco passivo?"

Pelo projeto em gestação, prevê-se reservar à TAM, cuja dívida se refere a investimentos, além das rotas de parte do espólio Vasp-Transbrasil, um pacote de rotas internacionais. A Varig, saneada, permaneceria com a maioria das rotas internacionais e com as principais nacionais, como arma para combater as empresas estrangeiras. O diretor-geral do Departamento de Aviação Civil, tenente-brigadeiro Marcos Antônio de Oliveira, apóia a fusão. Sua preocupação é a exclusividade nas linhas. O desenho definitivo da fusão ainda dependerá da avaliação financeira das companhias.

Há doze anos, a Varig disputava a rota Brasil–Estados Unidos apenas com a combalida Pan Am. Hoje, luta contra quatro americanas saudáveis. Elas oferecem 98 vôos para o Brasil. As brasileiras, apenas sessenta para os Estados Unidos. A Varig, que já teve 55% do tráfego aéreo nessa rendosa rota, atualmente tem apenas 45%. Enquanto o dinheiro oficial não chega, as empresas cortam gastos como podem. Mas a solução final parece passar mesmo pelo casamento das marcas.

quarta-feira, 4 de agosto de 1999

[Recordar é Viver] Linha Direta

Quarta-feira,4 de agosto de 1999

SONIA RACY

Reunião em terra. Fechados ontem em suíte do Hotel Sofitel em São Paulo, Fernando Pinto, da Varig, Wagner Canhedo, da Vasp, Celso Cipriani , da Transbrasil e Rolim Amaro, da TAM. No ar, a situação das empresas de aviação. Relatório distribuído ontem pela Goldman Sachs, a seus investidores, mantém a recomendação positiva, no curto prazo, para o mercado de ações brasileiro. Aliás, faz o mesmo com Chile, Peru, México e até Argentina...

terça-feira, 27 de julho de 1999

[Recordar é Viver] Cobrança de adicional de 3% leva DAC a acionar Varig e Vasp

O Estado de São Paulo, terça-feira,27 de julho de 1999

Irregularidade, segundo o brigadeiro Venâncio Grossi, viola os direitos do consumidor

IRANY TEREZA, RIO - O Departamento de Aviação Civil (DAC) entrou com ação na Justiça contra as companhias áereas Varig e Vasp por causa da cobrança irregular do adicional de 3% sobre as passagens em rotas regulares domésticas. As duas empresas, que conseguiram liminar em maio suspendendo o repasse do adicional ao DAC, continuaram a cobrá-lo dos passageiros. A atitude, segundo o brigadeiro Venâncio Grossi, subchefe do Departamento de Planejamento do órgão fiscalizador, além de representar desobediência a uma decisão judicial, é uma violação aos direitos do consumidor. Ele informou que o DAC arrecada por ano cerca de R$ 35 milhões do adicional, dos quais mais da metade correspondiam aos repasses de Varig e Vasp, as duas únicas companhias a entrar na Justiça. Da Varig, o órgão recolhia cerca de R$ 1,1 milhão por mês e da Vasp, R$ 400 mil. Os recursos correspondiam à cobrança do adicional apenas nos vôos regulares. Ficavam fora da medida os fretamentos, rede postal, transporte de carga e qualquer rota ou vôo extraordinários. A direção da Varig informou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, ter recebido com surpresa a publicação de um comunicado do DAC nos jornais na semana passada, abordando o assunto. A empresa alega que o repasse ao órgão era feito com recursos próprios de seu orçamento e não de cobrança adicional nas tarifas. Em 18 de maio, a juíza Frana Elizabeth Mendes, da 24ª Vara Federal, concedeu liminar à empresa suspendendo o repasse. Uma semana depois, a Vasp obteve a mesma autorização judicial. O brigadeiro Grossi lembrou que o repasse é utilizado para subvencionar vôos de companhias regionais em áreas carentes do País, especialmente no interior do Nordeste e Regiões Norte e Centro-Oeste, que não são servidas de transporte ferroviário e onde há precariedade de rodovias.

quarta-feira, 7 de julho de 1999

[Recordar é Viver] Vale Tudo no Ar

Revista Veja, 07/07/1999, http://veja.abril.com.br/070799/p_087.html

Promoções e mais vôos
acirram concorrência
na ponte aérea


Claudio Rossi

Embarque no Aeroporto de Congonhas: um vôo a cada dez minutos nos dois sentidos


O céu entre as duas maiores cidades do país nunca esteve tão movimentado. Nesta segunda-feira, a Transbrasil aumenta em um terço sua freqüência de vôos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Com isso, a cada dez minutos um avião passa a decolar do Aeroporto de Congonhas para o Santos Dumont e outro a sair na direção oposta. Cerca de 20.000 assentos estão sendo oferecidos diariamente. Com a oferta em alta e as companhias se digladiando para aumentar suas participações, sobram vantagens para os passageiros. Filas para embarque, por exemplo, são cada vez mais raras. O cenário é ótimo para o viajante, que quer preço baixo e bons serviços. Para as companhias aéreas, contudo, há turbulência à vista.

Até o ano passado, a ponte Rio–São Paulo era considerada o filé mignon da aviação nacional. Com cerca de 10% do total de passageiros de todo o país e operada por um pool das companhias, praticamente não havia concorrência. O preço das passagens era alto e as filas, imensas. Os lucros das empresas chegavam a 40%. Em 1998, com o fim do cartel das companhias nessa linha, tudo mudou. Hoje há 80% mais vôos. O número de passageiros também cresceu, só que numa proporção menor, de 35%. O resultado é que o lucro das empresas diminuiu, enquanto o custo aumentou.

Por enquanto, só a Varig conseguiu manter a ocupação dos tempos do pool. Vasp e Transbrasil estão decolando com prejuízo. A Transbrasil chegou a voar com apenas oito lugares ocupados de seu Boeing 737-300. Sua média de ocupação é de 28%. A da Vasp, de 23%. Com esses índices, por quanto tempo as companhias continuarão nessa briga? "A ponte aérea é uma vitrine que ninguém pode negligenciar, senão fica para trás", explica Cristiano de Souza, diretor de marketing da Transbrasil. "Quem ganha cliente nesse trecho garante o passageiro quando ele for viajar nas outras linhas."

O sinal mais evidente de que nenhuma empresa pretende desistir da guerra na ponte aérea são as promoções. A Transbrasil acaba de lançar o Passe Livre, um cartão que custa 1.910 reais e permite quantidade de vôos irrestrita no trecho Rio–São Paulo durante trinta dias. Para agosto, a TAM promete colocar seus moderníssimos aviões Airbus 319 no ar, com direito a classe executiva. Os programas de milhagem de todas as companhias também estão mais agressivos. Em alguns, quem percorre oito idas e vindas entre Rio e São Paulo pode viajar de graça para qualquer cidade da América do Sul.

quinta-feira, 1 de julho de 1999

[Recordar é Viver] Ficou mais difícil adquirir passagem aérea

Estado de São Paulo, Julho de 1,999


Com a alta do dólar, os prazos e os descontos em bilhetes nacionais foram reduzidos

SILVANA ROCHA. Com a disparada do dólar desde meados de janeiro, a compra de passagem aérea nacional ou internacional está exigindo maior atenção em relação a preços e formas de pagamento. É que algumas companhias aéreas mudaram os preços e as condições de pagamento. No caso de bilhetes nacionais, os descontos foram reduzidos de 60% para até 40% ou 30%, dependendo do destino e da antecedência da compra em relação à data de embarque. Algumas empresas que não cobravam juro no financiamento estão embutindo agora taxas entre 2% e 2,7% ao mês. Além disso, os prazos foram encurtados. Em relação aos bilhetes internacionais, não foi autorizado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) o acordo entre a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav) e as empresas TAM, Vasp e Transbrasil, que previa o uso da cotação do dólar de R$ 1,70 nas emissões de passagem este mês. Sendo assim, além dessas, empresas como a Varig e as companhias internacionais consultadas continuam fazendo a conversão de parcelas em real pela cotação média do dólar comercial do dia anterior ao da emissão do bilhete. Em todos os casos, o débito é feito em cartão de crédito. Veja, a seguir, as normas e as condições em vigor: TAM – Aumentou o prazo de financiamento de passagens nacionais, de cinco vezes sem juros em janeiro para até dez vezes, com juro de 2,7% ao mês. Passagens internacionais, que eram parceladas em até três meses sem juros, agora podem ser financiadas em até cinco meses. sem juros. Vasp – Desde março do ano passado, parcela passagens nacionais e internacionais em prazo de dois a seis meses, com juro de 2% ao mês. Varig – Financia passagem nacional em até dez parcelas, com juro de 2,7% ao mês. Bilhetes internacionais podem ser pagos em até cinco ou seis prestações em real, sem juros. Transbrasil – Passagens para vôos nacionais e regionais são financiadas em até três vezes, sem juros. Até 10 de dezembro, o prazo era de até cinco meses. Bilhetes para os Estados Unidos podem ser pagos em até cinco vezes em real, sem juro, e para a Europa, em até três parcelas, sem juros. American Airlines – Reduziu, em dezembro, de dez para até cinco vezes o prazo de pagamento, sem juros. United Airlines – Em 22 de fevereiro, aumentou de cinco para dez vezes, sem juro e em real, o prazo de pagamento de bilhetes da classe econômica para os Estados Unidos. Passagens para a primeira classe e classe executiva podem ser pagas em cinco vezes, sem juros. British Airways – Só vende passagem à vista desde dezembro. Lufthansa – Parcela o pagamento em até seis vezes em real, com juro de 2,7% ao mês. Aumentou de 20%, em dezembro, para 25%, em fevereiro, o desconto à classe econômica G. Air France – Mantém o parcelamento em até cinco vezes, sem juros.

segunda-feira, 10 de maio de 1999

[Recordar é Viver] TRANSBRASIL: Cia. suspende acordo com Vasp na ponte-aérea SP-RJ

Gazeta Mercantil

SÃO PAULO, 10 de maio de 1999 - A Transbrasil deu início hoje aos seus vôos independentes na ponte- aérea São Paulo-Rio de Janeiro, suspendendo uma parceria com a Vasp, com quem operava os vôos até a semana passada. O presidente da Transbrasil, Paulo Enrique Coco, esteve hoje de manhã no aeroporto Santos Dumont, no Rio, e disse que os dois primeiros vôos da rota saíram com bom índice de ocupação. Coco explica que, desde o final do ano passado, a empresa sentiu a necessidade de oferecer um serviço diferenciado na ponte- aérea e por isso suspendeu a parceira com a Vasp. Até a semana passada, a empresa realizava oito freqüências na rota. A empresa requisitou ao Departamento de Aviação Civil (DAC) mais 12 freqüências. Hoje a empresa começa com 15 freqüências, devendo dar início aos vôos restantes em 1º de junho. Agora, a empresa passa a oferecer refeições quentes nessa rota. Até então, a refeição era fria e servida em caixinhas. Coco afirma que vai manter o serviço de reserva na rota, mas vai acompanhar o seu desempenho para ver se é preciso alguma mudança. Apesar de a rota representar apenas 6% da receita da empresa, Coco afirma que é preciso investir na melhoria do serviço desse trecho, pois os clientes da ponte- aérea são, em geral, os formadores de opinião do País. "Se eles voarem bem nesse trecho, vão querer conhecer os outros vôos da empresa", disse. A taxa de ocupação atual dos vôos da Transbrasil na ponte- aérea está em torno de 46%. O objetivo da empresa é chegar a 60%. (Cindy Correa/SG, Panorama Setorial da Gazeta Mercantil)

quarta-feira, 17 de março de 1999

[Recordar é Viver] Vôos internacionais perdem 306 mil passageiros

Estado de São Paulo, Quarta-feira,17 de março de 1999

Dados do DAC com base em quatro grandes empresas revelam que o movimento caiu 13, 9% em fevereiro

SUZANA SANTOS

RIO – Dados do Departamento de Aviação Civil (DAC) revelam que o número de passageiros transportados para o exterior em fevereiro por quatro grandes empresas aéreas caiu 13,98% em relação ao mesmo mês do ano passado. Isso significa que menos 306.824 passageiros embarcaram em linhas internacionais em fevereiro deste ano. Foram transportados 1.886.490 passageiros este ano e 2.193.314 no ano passado, pela Transbrasil, Vasp, Varig e TAM Meridionais. A Transbrasil registrou queda de 74,08%. O número de passageiros caiu de 164.008 em fevereiro de 1998 para 94.231 em fevereiro deste ano. O transporte de passageiros para o exterior da Vasp apresentou recuou de 73,17%, saindo de 594.605 passageiros para 343.354. O recuo na venda de passagens internacionais na Varig foi bem menor, de apenas 1,83%, com retração do número de passageiros de 1.433.297, para 1.406.973. Apesar dos números da Varig parecerem menos drásticos, a companhia anunciou, oficialmente, a suspenção, a partir do dia 15 de abril, dos vôos regulares para Orlando, Washington e Atlânta, no Estados Unidos, Zurique, na Suíça, e Porto, em Portugal. O motivo: falta de passageiros. A expectativa é que em março o impacto da desvalorização do real seja maior do que o já registrado em fevereiro. O diretor de Planejamento da Varig, Manoel Torres, informou ao Estado, na segunda-feira, que os reflexos da crise estão mais fortes este mês. Expectativa – A expectativa do executivo é que as vendas de passagens aéreas internacionais caiam 10% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, como conseqüência da desvalorização do real, que encareceu o custo das viagens internacionais. A decisão da Varig não agradou às empresas especializadas em vendas de pacotes turísticos para Orlando. O diretor geral da agência Tia Augusta Turismo, Pascoal Fortunato, disse que o trabalho com grandes grupos ficará dependente de fretamento. Para ele, a desvantagem é que perde-se as garantias oferecidas por grandes companhias, como acomodação em hotéis, caso ocorram problemas de decolagem ou transferência dos bilhetes para outros vôos em caso de necessidade de antecipar a volta de algum passageiro. “É lamentável que isso ocorra em um destino de sucesso como Orlando”, reclamou. Os números do DAC, que tëm base em informações oficiais da companhias aéreas, refletem o fluxo de passageiros da Transbrasil , Vasp, Varig e TAM Meridionais – esta última foi a única que registrou crescimento no número de passageiros em fevereiro. A TAM Meridionais, que transportou em feveriro do ano passado apenas 1.404 passageiros, passou a embarcar 41.932 clientes para o exterior, o que aponta crescimento de 2.886,6%. Mas apenas aumento de 40.528 pessoas no número de passageiros transportados.

domingo, 14 de março de 1999

[Recordar é Viver] Baixa estação reduz preço de viagens

Estado de São Paulo, domingo,14 de março de 1999

Promoções em pacotes ao exterior tentam amenizar o impacto do dólar mais alto

WELLITON MORAES

Se você pretende viajar para o exterior, faça uma boa pesquisa de preços e condições antes de tomar uma decisão. Com a disparada do dólar, as agências de viagens estão recorrendo a promoções para tentar despertar o interesse do consumidor por pacotes internacionais. Até porque está vigorando a baixa temporada, época em que a demanda por viagens internacionais cai e os preços dos pacotes ficam mais baixos. A Agaxtur, por exemplo, calcula a média da cotação do dólar comercial de um determinado dia da semana e mantém o câmbio fixo por três dias. Se, nesse período, a cotação cair, o valor do pacote será convertido pelo menor preço. Se a cotação subir, a conversão seguirá o preço fixado anteriormente. Na segunda-feira, o câmbio foi fixado em R$ 1,95 e quem comprou um pacote de US$ 1 mil pagou R$ 1.950,00. Se tivesse utilizado a cotação do dia seguinte, quando o valor médio do dólar subiu para R$ 2,10, o preço desse mesmo pacote teria subido para R$ 2.100,00. Na Starshine Turismo, o valor dos pacotes internacionais também está mais baixo. Um pacote para Machu Picchu (Peru), de seis dias, com hotel e café da manhã, que custava US$ 1.200,00, passou a ser negociado por US$ 940,00. As companhias aéreas também já estão oferecendo preços de baixa temporada. Na TAM, o bilhete São Paulo-Miami (EUA)-São Paulo custava US$ 899,00 na alta estação. Agora, esse valor caiu para US$ 586,00. Na Varig, o valor da passagem São Paulo-Londres-São Paulo custava US$ 1.456,00 e recuou para US$ 949,00. Na Vasp, o valor da passagem São Paulo-Los Angeles (EUA)-São Paulo caiu de US$ 733,00 para US$ 678,00. Na Transbrasil, a passagem São Paulo-Miami-São Paulo encolheu de US$ 645,00 para US$ 580,00. Impasse - A proposta da Associação Brasileira das Agências de Viagens de fixar o valor do dólar em R$ 1,70 na compra de passagens internacionais ainda não saiu do papel. O Departamento de Aviação Civil (DAC) é contrário a essa idéia, pois considera que esse procedimento colide com a legislação em vigor. Por ela, a conversão deve ser feita levando em conta a média dos preços verificada no dia anterior ao da emissão do bilhete.

quinta-feira, 11 de março de 1999

[Recordar é Viver] Passagens aéreas podem aumentar até 28%

Estado de São Paulo, quinta-feira,11 de março de 1999

Índice corresponde ao pedido de aumento da TAM, encaminhado ontem à Aeronáutica

SUZANA SANTOS

RIO - O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou ontem que vai encaminhar ao Ministério da Aeronáutica, dia 17, análise dos pedidos de aumentos de passagens aéreas, feitos pelas companhias, e uma sugestão de índice tarifário. Os dados devem ser enviados em seguida para decisão do Ministério da Fazenda. A TAM solicitou ao DAC 28% de reajuste nas passagens. A Varig, Vasp e Transbrasil pediram aumentos que variam de 19% a 21% (os porcentuais precisos solicitados por cada empresa não foram divulgados). A análise do DAC e a sugestão do índice tarifário terão base nos argumentos de cada empresa, nas planilhas de custos, indicadores macroeconômicos do governo, variação cambial e todos os outros aspectos que podem provocar aumento de custo para as companhias aéreas. A TAM enviou ao DAC o pedido de reajuste na segunda-feira e as outras companhias aéreas, na terça-feira. Segundo informações oficiais do DAC, em geral o processo de análise dos pedidos demora dez dias. A direção do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação (Snea) não quis pronunciar-se sobre os pedidos para evitar dúvidas em relação ao pleito de cada empresa. A Assessoria de Imprensa informou que qualquer manifestação do Snea pode ser interpetrada como indício de formação de cartel no setor. O sindicato havia divulgado na semana passada uma pesquisa que indicava que o aumento do querosene de aviação em 20%, o reajuste de 2% para 3% na Cofins e a alta do dólar, com a cotação em R$ 1,90, provocaria a necessidade de reajuste médio de 17,83% nas passagens aéreas, em razão do impacto das variáveis sobre os custos das companhias.

sábado, 6 de março de 1999

[Recordar é Viver] Reajuste deixa aviação em dificuldades

Estado de São Paulo, sábado, 6 de março de 1999

Alta do querosene, em razão da desvalorização da moeda, exige passagens mais caras

SUZANA SANTOS e GUSTAVO ALVES

RIO - O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéroviárias (Snea), brigadeiro Mauro Gandra, divulgou ontem um estudo sobre o impacto do aumento de 20% no querosene de aviação, da elevação de 2% para 3% da alíquota da Cofins e da desvalorização do real no preço das passagens domésticas. Considerando um cenário do dólar a R$ 1,90, a projeção é da necessidade de reajuste de 17,83%, em razão do reflexo na planilha de custos das companhias, que absorvem de 30% a 45% de custos em dólar. Foram feitos, ainda, estudos com outros dois cenários: um com a cotação do dólar a R$ 2,00 e outro a R$ 2,10. Na primeira hipótese, haveria necessidade de reajustar as passagens em 19,20% e na segunda, de 20,55%. Para o brigadeiro, a situação das empresas não é boa. Segundo ele, a venda de passagens de vôos domésticos caiu de 10% a 12% este ano e os internacionais, 40%. Esse fraco desempenho, somado à queda de 37,5% no preço médio das passagens domésticas em 98, não compensada com o aumento do número de passageiros, cria dificuldades para as companhias. Perdão - O brigadeiro informou que vai levar ao Departamento de Aviação Civil (DAC) pedido de perdão, por dois, das dívidas das empresas com tarifas da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). O presidente da Infraero, Eduardo Bogalho Pettengill, não se mostrou disposto a aceitar a proposta. Ele disse que as dívidas antigas serão pagas, "no máximo, na Justiça". Pettengil também confirmou o início, hoje, da cobraça, à vista, dos serviços da Infraero para grandes companhias nacionais devedoras, nos Aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio. Segundo ele, se o serviços não forem pagos, os passageiros dessas empresas serão transferidos para outras. O presidente da Infraero disse que não deve haver transtornos no funcionamento dos aeroportos com a cobrança. Segundo ele, no próximo fim de semana, a cobrança à vista será estendida para outras rotas ainda não definidas. (com Agência Estado)