Promoções e mais vôos
acirram concorrência
na ponte aérea
| Claudio Rossi |
| Embarque no Aeroporto de Congonhas: um vôo a cada dez minutos nos dois sentidos |
O céu entre as duas maiores cidades do país nunca esteve tão movimentado. Nesta segunda-feira, a Transbrasil aumenta em um terço sua freqüência de vôos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Com isso, a cada dez minutos um avião passa a decolar do Aeroporto de Congonhas para o Santos Dumont e outro a sair na direção oposta. Cerca de 20.000 assentos estão sendo oferecidos diariamente. Com a oferta em alta e as companhias se digladiando para aumentar suas participações, sobram vantagens para os passageiros. Filas para embarque, por exemplo, são cada vez mais raras. O cenário é ótimo para o viajante, que quer preço baixo e bons serviços. Para as companhias aéreas, contudo, há turbulência à vista.
Até o ano passado, a ponte Rio–São Paulo era considerada o filé mignon da aviação nacional. Com cerca de 10% do total de passageiros de todo o país e operada por um pool das companhias, praticamente não havia concorrência. O preço das passagens era alto e as filas, imensas. Os lucros das empresas chegavam a 40%. Em 1998, com o fim do cartel das companhias nessa linha, tudo mudou. Hoje há 80% mais vôos. O número de passageiros também cresceu, só que numa proporção menor, de 35%. O resultado é que o lucro das empresas diminuiu, enquanto o custo aumentou.
Por enquanto, só a Varig conseguiu manter a ocupação dos tempos do pool. Vasp e Transbrasil estão decolando com prejuízo. A Transbrasil chegou a voar com apenas oito lugares ocupados de seu Boeing 737-300. Sua média de ocupação é de 28%. A da Vasp, de 23%. Com esses índices, por quanto tempo as companhias continuarão nessa briga? "A ponte aérea é uma vitrine que ninguém pode negligenciar, senão fica para trás", explica Cristiano de Souza, diretor de marketing da Transbrasil. "Quem ganha cliente nesse trecho garante o passageiro quando ele for viajar nas outras linhas."
O sinal mais evidente de que nenhuma empresa pretende desistir da guerra na ponte aérea são as promoções. A Transbrasil acaba de lançar o Passe Livre, um cartão que custa 1.910 reais e permite quantidade de vôos irrestrita no trecho Rio–São Paulo durante trinta dias. Para agosto, a TAM promete colocar seus moderníssimos aviões Airbus 319 no ar, com direito a classe executiva. Os programas de milhagem de todas as companhias também estão mais agressivos. Em alguns, quem percorre oito idas e vindas entre Rio e São Paulo pode viajar de graça para qualquer cidade da América do Sul.
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