http://epoca.globo.com/edic/20000508/neg2.htm
PONTE AÉREA
Sem competição
O acordo operacional anunciado na terça-feira 2 pela TAM e pela Transbrasil para a ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro atingiu o bolso dos consumidores. Enquanto divulgavam o acordo, a Transbrasil reduzia drasticamente o número de vôos nessa rota e aumentava em 62,5% (de R$ 88 para R$ 143) o preço da passagem no balcão para a classe turística. Equiparou-o ao cobrado pela parceira, cuja referência é a tabela de tarifas da Varig, empresa líder na aviação comercial brasileira.
Assim, desde a semana passada, Transbrasil, TAM e Varig trabalham com preços iguais. E há menos aviões de carreira na rota São Paulo-Rio. É uma espécie de restauração do clube que domina o trecho há três décadas. Em fevereiro, a Vasp abandonou a confraria e reduziu os preços para a metade. Endividada e sob pressão dos credores, a Vasp agoniza. Mas é, agora, a única opção para quem procura reduzir os custos da viagem. Cobra R$ 143 por ida e volta.
Fora do clube, a Vasp tenta enfrentar a concorrência e aumentar a taxa de ocupação, hoje acima dos 60%. Os problemas da Vasp são estruturais. Na semana passada, teve de devolver à IBM quatro computadores de grande porte e 200 microcomputadores arrendados. Devia R$ 12 milhões e não pagara. A direção da Vasp terminou a semana com uma boa notícia: a empresa conseguiu liberar R$ 5,9 milhões depositados em juízo por conta de outra dívida, com os Correios. Ambos transferiram para os tribunais sua disputa pelo mercado de encomendas expressas.
A decisão de reduzir vôos e aumentar preços na ponte aérea, cortando descontos, surgiu na esteira da publicação dos resultados financeiros de 1999. O recorde foi da TAM, com perdas de R$ 129 milhões. Em seguida, ficou a Varig, com prejuízo de R$ 94 milhões. A Vasp apresentou um rombo de R$ 91,3 milhões e a Transbrasil registrou R$ 87 milhões.
O governo pediu explicações à Transbrasil e à TAM sobre o acordo. Alegou falta de consulta prévia ao órgão de controle de monopólios, o Cade. As companhias podem ter ferido a Lei da Concorrência, justificou. A Transbrasil acha que não precisa consultar ninguém, pois já realizou operações semelhantes com a Varig sem pedir licença prévia ao Cade.
O Procon também protestou e ameaça ir à Justiça. Exige a volta da tarifa de R$ 88, baseado em anúncios publicados em 13 de abril. Neles, a Transbrasil prometia manter a promoção por 30 dias. Como a oferta foi cancelada no dia 2, além de voltar a cobrar menos, a empresa terá de devolver a diferença aos passageiros que embarcaram nesse período. Se não acatar a determinação, pagará multas diárias ao Procon. O acordo Transbrasil-TAM pode acabar nos tribunais.
Eliziário Goulart da Rocha
| Buraco no caixa | ||||||
| A TAM tem patrimônio e dívida maiores | ||||||
| | Vôos por dia | Tarifa | Aviões | Funcionários | Prejuízo em 1999 | Dívida |
| Transbrasil | reduzidos de 20 para 4 | aumentada de R$ 88 para R$ 143** | 21 | 3.500 | R$ 87 milhões | R$ 300 milhões |
| TAM | 24 | aumentadade R$ 130 para R$ 143* | 60 | 4.800 | R$ 129 milhões | R$ 960 milhões |
| *Acréscimo de 10% a partir de 9 de agosto de 1999 | ||||||
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