terça-feira, 16 de maio de 2000
[Recordar é Viver] VARIG: Ozires Silva é o novo presidente da companhia
SÃO PAULO, 16 de maio de 2000 - A Varig informou há pouco, por meio de sua assessoria de imprensa, que Osires Silva é o novo presidente da companhia, em substituição a Fernando Pinto. Silva era membro do conselho diretor da empresa área. Ex - presidente da Embraer, ele também foi chefe da Casa Civil e ministro da Infra-Estrutura nos anos 90. O novo presidente concederá entrevista coletiva logo mais, as 15 horas, no Rio. A substituição foi definida ontem à noite, em reunião extraordinária do conselho de administração da companhia. A Varig passa por um processo de reestruturação. Há cerca de uma semana, foi anunciada a saída do presidente do conselho de administração, Jorge Hilário Gouvêa Vieira. A Fundação Ruben Berta, grupo controlador da Varig, informou que não procediam as informações de que a saída de Gouvêa Vieira decorreria de desavenças e descontentamento com a atual diretoria executiva da empresa. (DM, InvestNews da Gazeta Mercantil)
segunda-feira, 8 de maio de 2000
[Recordar é Viver] TAM e Transbrasil fazem acordo, acabam com descontos, reduzem oferta e aumentam preços
http://epoca.globo.com/edic/20000508/neg2.htm
PONTE AÉREA
Sem competição
O acordo operacional anunciado na terça-feira 2 pela TAM e pela Transbrasil para a ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro atingiu o bolso dos consumidores. Enquanto divulgavam o acordo, a Transbrasil reduzia drasticamente o número de vôos nessa rota e aumentava em 62,5% (de R$ 88 para R$ 143) o preço da passagem no balcão para a classe turística. Equiparou-o ao cobrado pela parceira, cuja referência é a tabela de tarifas da Varig, empresa líder na aviação comercial brasileira.
Assim, desde a semana passada, Transbrasil, TAM e Varig trabalham com preços iguais. E há menos aviões de carreira na rota São Paulo-Rio. É uma espécie de restauração do clube que domina o trecho há três décadas. Em fevereiro, a Vasp abandonou a confraria e reduziu os preços para a metade. Endividada e sob pressão dos credores, a Vasp agoniza. Mas é, agora, a única opção para quem procura reduzir os custos da viagem. Cobra R$ 143 por ida e volta.
Fora do clube, a Vasp tenta enfrentar a concorrência e aumentar a taxa de ocupação, hoje acima dos 60%. Os problemas da Vasp são estruturais. Na semana passada, teve de devolver à IBM quatro computadores de grande porte e 200 microcomputadores arrendados. Devia R$ 12 milhões e não pagara. A direção da Vasp terminou a semana com uma boa notícia: a empresa conseguiu liberar R$ 5,9 milhões depositados em juízo por conta de outra dívida, com os Correios. Ambos transferiram para os tribunais sua disputa pelo mercado de encomendas expressas.
A decisão de reduzir vôos e aumentar preços na ponte aérea, cortando descontos, surgiu na esteira da publicação dos resultados financeiros de 1999. O recorde foi da TAM, com perdas de R$ 129 milhões. Em seguida, ficou a Varig, com prejuízo de R$ 94 milhões. A Vasp apresentou um rombo de R$ 91,3 milhões e a Transbrasil registrou R$ 87 milhões.
O governo pediu explicações à Transbrasil e à TAM sobre o acordo. Alegou falta de consulta prévia ao órgão de controle de monopólios, o Cade. As companhias podem ter ferido a Lei da Concorrência, justificou. A Transbrasil acha que não precisa consultar ninguém, pois já realizou operações semelhantes com a Varig sem pedir licença prévia ao Cade.
O Procon também protestou e ameaça ir à Justiça. Exige a volta da tarifa de R$ 88, baseado em anúncios publicados em 13 de abril. Neles, a Transbrasil prometia manter a promoção por 30 dias. Como a oferta foi cancelada no dia 2, além de voltar a cobrar menos, a empresa terá de devolver a diferença aos passageiros que embarcaram nesse período. Se não acatar a determinação, pagará multas diárias ao Procon. O acordo Transbrasil-TAM pode acabar nos tribunais.
Eliziário Goulart da Rocha
| Buraco no caixa | ||||||
| A TAM tem patrimônio e dívida maiores | ||||||
| | Vôos por dia | Tarifa | Aviões | Funcionários | Prejuízo em 1999 | Dívida |
| Transbrasil | reduzidos de 20 para 4 | aumentada de R$ 88 para R$ 143** | 21 | 3.500 | R$ 87 milhões | R$ 300 milhões |
| TAM | 24 | aumentadade R$ 130 para R$ 143* | 60 | 4.800 | R$ 129 milhões | R$ 960 milhões |
| *Acréscimo de 10% a partir de 9 de agosto de 1999 | ||||||
quarta-feira, 3 de maio de 2000
[Recordar é Viver] Nas asas da fusão
http://veja.abril.com.br/030500/p_136.html
União entre TAM e Transbrasil é o primeiro lance da reestruturação da aviação comercial brasileira
Edilson Coelho e Sandra Brasil
O acordo firmado entre as companhias de aviação TAM e Transbrasil, na sexta-feira passada, é o prelúdio de uma mudança muito mais profunda no cenário da aviação civil brasileira. Dentro de três meses, se os números que seus auditores descobrirem na Transbrasil não forem decepcionantes, Rolim Amaro, o comandante da TAM, comprará a empresa. Já está decidido que nos próximos três meses as duas companhias operarão em conjunto com o objetivo de reduzir custos e aumentar a lotação em seus vôos. É uma maneira também de Rolim avaliar se a cultura das duas empresas pode vir a ser harmonizada sob um comando único. A decisão é histórica. Há anos as companhias aéreas brasileiras estão com seus motores rateando. No ano passado, todas registraram prejuízo. Estima-se que a capacidade ociosa seja, em média, de cerca de 50%. Era evidente que alguma providência precisaria ser tomada. Omar Fontana, da Transbrasil, e Rolim Amaro, justamente os mais emocionalmente apegados a seus aviões e a suas bandeiras, tomaram a iniciativa. Fontana, afastado por motivos de saúde da direção executiva da Transbrasil desde o ano passado, não tinha outra saída. Sobrecarregada de dívidas, sua companhia ameaçava entrar em parafuso.
A Transbrasil já havia contratado os auditores da empresa americana Merryll Lynch para dar um parecer sobre a saúde financeira de seus negócios. A TAM obviamente se interessa de perto pelos resultados. Rolim quer saber o tamanho dos papagaios que terá de assumir para ficar com a companhia rival. São contas pesadas. Sabe-se que já nesta terça-feira vencem faturas da Transbrasil com a GE Capital, a maior arrendadora de aviões do mundo. A conta, segundo pessoas próximas à empresa americana, pode chegar a 20 milhões de dólares. A Transbrasil garante que não passa de 10% desse valor. Há outras dívidas com o Fisco que estão sendo renegociadas. Não surgindo uma nova armadilha contábil na Transbrasil, Rolim Amaro está disposto a enfrentar a parada. Uma vez efetuada a compra, TAM e Transbrasil se lançarão num processo de enxugamento da estrutura das companhias. O objetivo é forrar o caixa imediatamente e ganhar músculo para os próximos movimentos.
A equação é a seguinte. A Transbrasil e a TAM voam com muitos assentos vazios em suas rotas. Para ajustar a oferta à demanda, nesta terça-feira seis aviões com a bandeira da Transbrasil serão devolvidos à GE Capital. De início, a Transbrasil deve fazer os vôos hoje operados pela TAM no Nordeste. No Sul e Sudeste ocorrerá o oposto: a Transbrasil cederá seus passageiros à TAM. A junção das operações é atraente quando vista de cima. Mas em terra ela pode ser acidentada. A TAM será obrigada a arcar com os custos do processo de fusão num momento em que seu balanço está fraco. Há outro ponto de desencontro. Os aviões das companhias são de marcas diversas. As tripulações precisam ter treinamento diferenciado, e a manutenção torna-se uma operação mais complicada e cara. Apesar de tudo, a própria concorrência tira o chapéu para o acordo. "É a chance que eles têm de adotar um perfil mais agressivo", diz Manoel Torres, diretor de Planejamento da Varig.
| Regis Filho | Marisa Uchiyama |
| Rolim, da TAM: de olho nas contas da Transbrasil | Fontana, da Transbrasil: companhia em dificuldades |
A negociação levou 72 horas e foi concluída no final da semana passada, nos hangares das companhias no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Omar Fontana não participou diretamente das discussões. Em seu lugar mandou o genro, Antônio Celso Cipriani. Para o governo, a perspectiva de uma solução para parte dos males que afligem a aviação comercial brasileira é alentadora. Brasília vem recebendo pressões para socorrer financeiramente as empresas, como ocorreu inúmeras vezes no passado. Com o objetivo de orientar o comportamento do governo nessa questão, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, encomendou um estudo minucioso sobre a situação do setor aéreo brasileiro. Na tarde da última quarta-feira, o ministro levou ao Palácio do Planalto o relatório, de cerca de vinte páginas. Quem tomou conhecimento de seu conteúdo considera o cenário desanimador. Ficou decidido que os cofres públicos não serão abertos. Mas os técnicos de Brasília se dispõem a elaborar um plano que permita a rápida reestruturação do setor.
A fusão entre TAM e Transbrasil foi o primeiro passo nessa reforma e pode precipitar outros movimentos. Ela torna mais crítica a situação da Vasp, o patinho feio dos ares. A Vasp, controlada por Wagner Canhedo, não consegue pagar em dia os salários de seus funcionários, está crivada de processos trabalhistas e só abastece aviões e usa aeroportos mediante pagamento à vista dos serviços. Seus advogados são mantidos de prontidão para evitar que os credores arrestem os aviões. As ações são tantas que eles não estão mais dando conta do recado. A Mitsui, empresa de leasing japonesa, conseguiu reaver da Vasp quatro jatos MD-11. A Boeing pretende retomar, até julho, outros quatro. Diante de tamanha pressão, a Vasp anunciou na semana passada que abandonará suas sete rotas internacionais.
A situação da Varig, embora menos caótica, também não está fácil. A companhia já passou por duas rodadas de reestruturação, com demissão de funcionários, terceirização de serviços e redução das rotas. A Varig também embarcou numa aliança internacional que se acabou mostrando vantajosa. Hoje ela tira 65% de seu faturamento de clientes de onze companhias internacionais que embarcam em seus aviões nos Estados Unidos e na Europa. Mesmo assim, operou com prejuízo no ano passado. Para a Varig e a Vasp, que continuam solteiras, a vida tende a ficar mais difícil. A nova empresa, que está sendo chamada de Tambrasil, tornará a concorrência mais acirrada e diminuirá as já minguadas margens de lucro. Má notícia para quem luta para fazer caixa.
terça-feira, 25 de abril de 2000
[Recordar é Viver] Tribunal Devolve Três Aviões à Vasp
A juíza Rosa Maria de Andrade Néry, do 2º Tribunal de Alçada Civel, indeferiu nesta terça-feira recurso da Victória Régia, empresa que tem contrato de leasing de três Boeing 737-300 com a Vasp, e manteve a liminar em favor da companhia aérea. A liminar devolveu os aviões à Vasp e suspendeu a decisão do juiz Márcio Teixeira Laranjo, da 24ª Vara Cível, que determinava a devolução deles à empresa proprietária, em razão de atrasos nos pagamentos de aluguéis.
Até que fosse revogada a decisão de Laranjo, os aviões ficaram 15 dias parados. A juíza entendeu que a melhor solução é manter os Boeing com a Vasp. Caso contrário, até o julgamento final da ação de reintegração de posse movida pela Victória Régia, a não-utilização dos aviões causaria prejuízos às duas empresas. Se a Vasp ficasse sem os três aviões, teria problemas para operar também na ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro. Na segunda-feira, uma liminar de reintegração de posse de quatro aviões MD-11, usados em rotas internacionais, forçou a companhia a suspender os vôos para a Europa e Estados Unidos. De início, a Vasp informou que os vôos seriam realizados somente até hoje. Mas ela negociou com a Golden Gate, empresa da Boeing que é dona dos MD-11, a utilização dos aviões até o dia 14 de maio. Segundo a companhia, a partir do dia 15 de maio os bilhetes que já foram emitidos poderão ser endossados para outra companhia que opere na área ou, se preferir, o usuário poderá receber o dinheiro de volta. A Varig informou que se os bilhetes forem endossados e se houver lugar em seus vôos, transportará os passageiros da Vasp. A TAM não tem relações comerciais com a companhia, e disse que não aceitará o endosso. Hoje o Departamento de Aviação Civil (DAC) informou que não foi informado da decisão da Vasp e alertou que a empresa não pode parar de operar os vôos de uma hora para a outra.
Fonte: Agência Estado
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segunda-feira, 24 de abril de 2000
[Recordar é Viver] Vasp Suspende Vôos para Europa e Estados Unidos
A Vasp anunciou na noite desta segunda-feira a suspensão de seus vôos para a Europa e Estados Unidos. A decisão, tomada pela diretoria da empresa, visa conter despesas. A Vasp atravessa uma das maiores crises de sua história, com aeronaves arrestadas pela Justiça por falta de pagamento, dívidas com Infraero e atraso de pagamento do salário de seus 8,5 mil funcionários no início do mês.
A companhia aérea de Wagner Canhedo anunciou ainda que já está negociando com a Boeing Company a devolução de seus quatro MD-11, que eram utilizados para as rotas da Europa e Estados Unidos. O porta-voz da Vasp, Ruy Nogueira Netto, disse que a companhia vai endossar as passagens para as rotas suspensas para outras companhias aéreas. "Os passageiros que preferirem poderão ter o dinheiro de volta", afirmou.
A Vasp informou que a decisão de suspender os vôos para a Europa e Estados Unidos deveria ter sido tomada desde janeiro do ano passado. "Com a desvalorização do Real frente ao dólar ficou inviável operar tais rotas", disse Nogueira Netto. A empresa informou que a suspensão é temporária e vai permitir que as operações na América Latina sejam fortalecidas.
Anunciou também que vai estender sua política de descontos, atualmente aplicada na ponte-aérea Rio-São Paulo, para as demais rotas nacionais. A empresa oferece 50% de desconto para as passagens da ponte-aérea.
Fonte: Agência Estado
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quarta-feira, 5 de abril de 2000
Tudo combinado
Tudo combinado
Daniela Pinheiro
Ilustração: Alex Akermann e foto: Lula Marques / Folha Imagem |
Pinto (Varig), Coco e Cipriani (Transbrasil), Rolim (TAM) e Canhedo (Vasp): reunião às vésperas do aumento |
A Vasp canibalizava, sim
| Sebastião Moreira / Ag. Estado |
| Avião da Vasp no aeroporto, ou o que restou dele: até os assentos desapareceram |
Mais uma nuvem negra no céu da Vasp. Um relatório anexado ao processo aberto contra a empresa pela americana Tombo Aviation Incorporation confirmou uma velha suspeita: a Vasp canibalizou os dois aviões MD-11 estacionados no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, há quase um ano. Uma vistoria feita por oficiais de Justiça apontou que faltavam mais de 300 itens nos jatos arrendados da Tombo. Entre eles, os motores, as turbinas e os computadores de vôo. Um deles estava absolutamente depenado. Na cabine dos passageiros não havia sequer um assento. Apesar de o processo conter fotos e detalhar as peças que sumiram, a Vasp continua a dizer que nunca retirou peças dos aviões. De acordo com a empresa, os MD-11 foram devolvidos no início de fevereiro. Intactos.
segunda-feira, 27 de março de 2000
[Recordar é Viver] Governo Investiga Cartel de Empresas Aéreas
Fonte: Agência Estado
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A Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça abriu hoje processo administrativo contra as quatro maiores companhias aéreas do País. TAM, Varig, TransBrasil e Vasp são acusadas de formar cartel para elevar os preços de suas tarifas, atuando de forma combinada e uniforme. Em agosto do ano passado, as empresas reajustaram as tarifas com o mesmo porcentual (10%) e no mesmo dia. As companhias aéreas têm 15 dias para apresentar a defesa. O prazo será contado depois que o certificado de recebimento da notificação sobre a abertura do processo for anexado aos autos. Depois de tramitar pela SDE, o processo será julgado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
As empresas estão sendo processadas com base na Lei 8.884 (antitruste) e poderão ser punidas com multas que vão de 1% a 30% de seu faturamento anual bruto, contabilizado no ano anterior ao julgamento do caso. O ministro da Justiça, José Carlos Dias, afirmou que, além das multas, as companhias poderão ficar proibidas, após o julgamento do caso, de contratar financiamentos com o setor público. "É uma opção, mas não há, por enquanto, fundamentação legal para que os empréstimos sejam negados", disse o ministro. "Eles ainda estão sendo beneficiados pela qualificação de non sense." E explicou: as empresas só poderão sofrer restrições depois que forem consideradas culpadas pelo Cade.
Levantamento feito pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda mostra que seis dias depois que os representantes das quatro companhias aéreas se reuniram, em um hotel de São Paulo, o preço das passagens no trecho de Congonhas (SP) para Santos Dumont (RJ) subiu 10%. No dia 5 de agosto, Varig e TAM cobravam R$ 130,00 pelo trecho da ponte aérea, reajustado para R$ 143,00 no dia 10 de agosto. Transbrasil e Vasp cobravam tarifas de R$ 108,00 no mesmo trecho e começaram a cobrar R$ 119,00. Todas as mudanças nas tarifas representam uma elevação igual, de acordo com cálculos da Seae.
De acordo com o diretor do Departamento de Proteção e Defesa Econômica, Caio Mário Pereira, durante as investigações preliminares feitas pela SDE as companhias apresentaram justificativas para se defender da acusação, mas as razões apresentadas não foram aceitas. "As empresas não tinham nenhuma razão para aumentar os preços de suas tarifas e, principalmente de forma conjunta", disse o diretor do Departamento. De acordo com ele, todas têm estruturas de custo e despesas diferenciadas. Caio Mário Pereira explicou que a desvalorização do real ocorrida em janeiro do ano passado, foi devidamente considerada pelos técnicos que investigam o caso. Mas, acrescentou, o que se levou em conta para a abertura do processo foi o porcentual de aumento igual e a mesma data para o aumento das tarifas.
O porta-voz da Vasp, Ruy Nogueira, negou que a companhia faça parte de um cartel. "Se existe cartel, somos vítimas dele, não participantes", disse. Segundo ele, reajustes foram feitos no mesmo dia porque os preços das passagens estavam defasados e os aumentos foram autorizadas pelo Departamento de Aviação Civil. As assessorias de imprensa da Varig e da TAM disseram que até o encerramento das atividades de ontem as empresas não haviam sido informadas sobre o processo.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
[Recordar é Viver] Canhedo anuncia reduções nos preços das passagens e acusa os concorrentes de promoverem uma campanha de baixo nível contra a Vasp
Entrevista
ALAN RODRIGUES
Guerra Suja
Wagner Canhedo anuncia reduções nos preços das passagens e acusa os concorrentes de promoverem uma campanha de baixo nível contra a Vasp
Mário Simas Filho

| ALAN RODRIGUES |
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| Canhedo: "A revista Veja foi usada por meus concorrentes e divulgou mentiras" |
O empresário Wagner Canhedo, presidente da Vasp, ainda não teve tempo para comemorar o fantástico índice de 89% de ocupação em seus jatos na ponte aérea Rio-São Paulo, o filé mignon da aviação nacional. Na última semana, ele precisou dedicar-se integralmente para administrar algumas turbulências. "Nossa política comercial mais agressiva deu resultado e incomodou a concorrência que resolveu bater abaixo da linha da cintura", acusa Canhedo. O empresário se refere ao bombardeio a que a Vasp ficou exposta nos últimos dias, quando foram amplamente divulgadas supostas dívidas da empresa e ameaças sensacionalistas da Infraero - a estatal responsável pela maior parte dos aeroportos brasileiros - de proibir os pousos e as decolagens de suas aeronaves. "Nenhuma empresa aérea brasileira está voando em céu de brigadeiro. A Vasp tem dívidas como tem dívidas a Varig, a Transbrasil e a TAM. Mas não estamos em situação de risco. Os ataques vieram como resposta de baixo nível a uma maior ocupação de mercado."
Certo de que seu plano de vôo está absolutamente correto, em entrevista concedida a ISTOÉ, Canhedo assegura que não irá arremeter. "Vamos manter o desconto de 50% nos bilhetes da ponte aérea e nos próximos dias anunciaremos promoções semelhantes para as cidades de Ribeirão Preto (SP), São José do Rio Preto (SP), Campo Grande (MS) e Uberlândia (MG). Como na ponte aérea, o cliente pagará a ida e a Vasp dará a volta", promete. O presidente da Vasp também garante que não irá reduzir a premiação aos agentes de viagem e acusa Varig, Transbrasil e TAM de não estarem amadurecidas o suficiente para entender a necessidade de fusões entre as empresas aéreas nacionais. A seguir, a entrevista com Wagner Canhedo.
ISTOÉ - Na última semana, cartazes espalhados pela cidade o definiam como um piloto de cheques voadores. Como o sr. se sentiu ao ver esses cartazes?
Wagner Canhedo - Não é nada agradável e não ficarei quieto. Os cartazes espalhados pela revista Veja são abomináveis e mentirosos. É lamentável que uma revista se arvore em juíza da moral alheia, como se estivesse acima do bem e do mal, sendo usada por meus concorrentes que se empenham em mover uma campanha contra a Vasp porque perderam mercado. É inaceitável que uma revista se preste a esse serviço, principalmente sabendo que estava divulgando alguns dados mentirosos e distorcendo outros. Trata-se, claramente, de uma reportagem assinada por meus concorrentes. Lanço o desafio para que apresentem um cheque do Canhedo ou da Vasp que tenha sido emitido sem fundos.
ISTOÉ - A Infraero diz que recebeu do sr. 24 cheques pré-datados e ao apresentar o primeiro o pagamento estava sustado.
Canhedo - Mais uma mentira divulgada pela revista Veja. De fato fiz os cheques pré-datados, mas a Infraero apresentou os 24 no mesmo dia. Por causa disso os pagamentos foram sustados, pois o comportamento da Infraero rasgou qualquer compromisso anterior.
ISTOÉ - O sr. credita aos concorrentes os ataques sofridos pela Vasp nos últimos dias. Diz que tudo não passa de uma resposta de baixo nível à sua política comercial mais agressiva. O que a Vasp fez que incomodou tanto?
Canhedo - De dezembro para cá, tomamos algumas medidas que irritaram muito meus concorrentes. Depois de algumas reuniões, todos resolveram abaixar de 10% para 7% as comissões dos agentes de viagem. A Vasp, que em outubro havia elevado essas comissões para 13%, não aceitou. Temos muito claro que são esses agentes os responsáveis por 80% de nossas vendas e eles precisam ser valorizados. Isso é política comercial. Irrita a concorrência, mas nada me obriga a seguir o que fazem as outras empresas.
ISTOÉ - E já houve tempo suficiente para essa postura provocar algum reflexo no mercado?
Canhedo - Sem dúvida. Quando elevamos a comissão para 13%, nossas vendas aumentaram em torno de 10% e agora que elas abaixaram nossas vendas subiram mais 30%. É isso que tem deixado TAM, Varig e Transbrasil bastante aborrecidas. Mas vamos ignorar os reclamos e continuar a implantar essa política agressiva.
ISTOÉ - Como?
Canhedo - Agora começamos com a promoção na ponte aérea. O passageiro paga a ida e a Vasp paga a volta. É o mesmo que se estivesse dando 50% de desconto. Ora, eles têm linhas que dão até 40% de desconto. Por que não posso dar 50% de desconto na ponte?
ISTOÉ - É que a ponte Rio-São Paulo é o filé mignon da aviação nacional.
Canhedo - Mas eles também estão com promoções na ponte.
ISTOÉ - TAM, Varig e Transbrasil estão dando descontos no trecho Rio-São Paulo?
Canhedo - Indiretamente sim. Elas aumentam a milhagem. É o mesmo que estamos fazendo, só que com resultados a médio e longo prazos para os clientes. A Vasp optou pelo benefício imediato ao passageiro.
ISTOÉ - Qual o resultado concreto dessa promoção?
Canhedo - O resultado é maravilhoso. Tínhamos um aproveitamento na ponte de 25% e estamos com 89%. A Vasp está ganhando. Veja bem. O número de passageiros continua o mesmo e meus vôos que saíam com ocupação de 25% hoje saem com 89%. Isso significa que as pessoas deixaram de voar pelas outras empresas. Foi a gota d'água para desencadear essa campanha odiosa contra nós. Meu crime é levar a sério o fato de vivermos em uma economia de mercado na qual o consumidor ganha com a competição.
ISTOÉ - A Infraero participa dessa campanha. Muito do que se tem dito contra a Vasp diz respeito a dívidas da empresa com a estatal?
Canhedo - Não. Nós, por decisão do ministro da Defesa e do comandante da Aeronáutica, seremos tratados como os demais. Vamos pagar todas as sextas-feiras e não diariamente como queria a Infraero. O problema é operacional e não falta de caixa.
ISTOÉ - Na semana passada, o presidente da Infraero criticou essa promoção da Vasp na ponte aérea. Ele disse que o sr. estava praticando dumping.
Canhedo - Isso é descabido. A Vasp está trabalhando com essa tarifa e está ganhando muito dinheiro.
ISTOÉ - O sr. não está operando abaixo do custo?
Canhedo - Ao contrário. Antes, com poucos passageiros nos aviões, estávamos perdendo no mínimo R$ 140 mil por dia na ponte e agora estamos ganhando R$ 140 mil.
ISTOÉ - E a dívida com a Infraero. As ameaças de proibir os vôos da Vasp?
Canhedo - Isso é outra grande bobagem. Estão confundindo tudo. O que a Infraero pode efetivamente fazer é nos cobrar cash e por causa disso estamos brigando na Justiça. Mas, se perdermos, vamos pagar dia a dia sem nenhum problema.
ISTOÉ - Estou me referindo não às taxas atuais, mas à dívida antiga da Vasp com a Infraero.
Canhedo - Temos dívidas como todas as outras empresas do setor. A Varig tem, e a Transbrasil e a TAM também. Nossa dívida com o governo de maneira geral está em torno de R$ 1,5 bilhão e temos créditos com a União em torno de R$ 1,6 bilhão. Então, o que estamos buscando é um acerto de contas e depois dessa negociação as coisas ficarão zero a zero.
ISTOÉ - Quais são esses créditos?
Canhedo - São créditos de defasagem tarifária do passado, já reconhecidos pela Justiça. Estamos apenas aguardando um chamado do governo para negociar. O nosso direito já está assegurado. O problema é que o governo, ao contrário dos cidadãos comuns, tem um maior número de recursos. Na verdade, são ações que visam apenas a ganhar tempo e não interferem no reconhecimento do direito.
ISTOÉ - O que está faltando para resolver?
Canhedo - Vontade política da área econômica do governo.
ISTOÉ - O sr. diz que, assim como a Vasp, as demais empresas do setor também têm dívidas. Elas também não têm esses mesmos créditos provenientes da defasagem tarifária?
Canhedo - A Transbrasil, por exemplo, tinha uma ação contra a União e ganhou. Nossa ação é idêntica e o processo está no mesmo estágio que o da Varig. Exigimos isonomia.
ISTOÉ - E as demais dívidas?
Canhedo - Nenhuma empresa aérea está voando em céu de brigadeiro. Todas têm dívidas, mas não estou à beira do abismo. Nenhum avião da Vasp foi tomado por empresa de leasing. Somos donos de 75% de nossa frota. A Varig, que já chegou a ser dona de todos os seus aviões, hoje tem apenas seis 737.200. A Transbrasil tem apenas três dos 21 jatos de sua frota e a TAM arrenda seus 56 jatos. Ninguém que arrecada em real e paga em dólar pode estar absolutamente tranquilo.
ISTOÉ - É verdade que a Vasp perdeu um contrato com a Empresa de Correios e Telégrafos porque apresentou falsas certidões negativas do INSS?
Canhedo - Essa é mais uma mentira dessa campanha sórdida promovida por meus concorrentes. Já pedi novas certidões e assim provarei que nada há de falso. Nossa dívida com o INSS está sendo depositada em juízo todos os meses sem nenhum atraso. O problema é que estamos questionando a forma de pagamento, pois quando boa parte dessa dívida foi feita a Vasp era estatal e como tal tinha um prazo maior de pagamento. Lutamos pela manutenção desse prazo.
ISTOÉ - E o contrato com o Correio?
Canhedo - Nós temos um serviço, o Vaspex, que concorre com o Correio. Portanto, esse contrato era um problema, pois a ECT nunca viu com bons olhos a concorrência direta. Os valores já estavam defasados em pelo menos 40%. Desde agosto do ano passado temos feito tratativas para o reajuste e nunca encontramos boa vontade por parte deles. O corte iria acontecer de uma forma ou de outra. Não teve nada a ver com a fantasiosa denúncia de certidões falsas. Para mim, o importante é que o que perdemos com o Correio já ganhamos com o incremento do Vaspex. Em janeiro crescemos mais de R$ 6 milhões.
ISTOÉ - O sr. está distribuindo uma carta aos passageiros em que fala em reestruturação da empresa. O que está acontecendo?
Canhedo - Não é só a Vasp, mas o setor todo precisa ser reestruturado. Não é fácil arrecadar em real e pagar em dólar. Estamos agora devolvendo quatro dos oito MD-11 e vamos reestruturar a malha internacional. É possível cumprir as rotas com metade da frota. Isso significará uma economia de US$ 1,6 milhão mensal em leasing. Com a desvalorização do real, esses aluguéis se tornaram muito caros. Isso tudo tem o objetivo de aumentar receita e diminuir despesas.
ISTOÉ - O sr. planeja alterar o número de funcionários da empresa?
Canhedo - A Vasp é uma empresa bastante enxuta. Me dói demitir um empregado. Eu vim de baixo e gosto de quem trabalha comigo.
ISTOÉ - Dizem que a Vasp está canibalizando. Como anda a manutenção de seus aviões?
Canhedo - Mais uma maldade. Dizem isso por causa dos MD 11. Ora, sempre um deles está em manutenção. É absolutamente normal que as empresas recolham suas aeronaves para revisão e manutenção. Com a Vasp, isso vira sinônimo de canibalização. Não é nada disso. A empresa aérea de médio e grande portes que não estiver com pelo menos um avião em manutenção está negligenciando com a segurança. A acusação é tão falsa quanto lamentável.
ISTOÉ - Como a Vasp se posiciona em relação à fusão das companhias aéreas nacionais, discurso feito com frequência pelo governo?
Canhedo - Sou totalmente favorável. Com qualquer uma das outras três empresas. Temos conversado bastante, mas essas conversas não têm caminhado. Acho que estamos vendo dez anos à frente, mas meus concorrentes não pensam assim. Nossos cálculos já checados e rechecados indicam que com a fusão das empresas nacionais poderíamos economizar cerca de US$ 15 milhões por mês. Uma economia que certamente seria revertida em benefício ao usuário, com a redução no preço final da passagem.
ISTOÉ - Por que essas conversas não avançam?
Canhedo - Tenho impressão de que falta amadurecimento aos meus concorrentes, pois não vejo como as empresas poderiam perder com isso.
ISTOÉ - Como o sr. pretende reagir a essa campanha contra a Vasp?
Canhedo - Vamos continuar fazendo as promoções e não iremos alterar as comissões dos agentes de viagem. Nossos passageiros irão ser beneficiados imediatamente. Nos mesmos moldes da ponte aérea, vamos implantar nos próximos dias promoções para Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Campo Grande e Uberlândia. O passageiro pagará a ida e a Vasp a volta.
ISTOÉ - Qual a taxa de ocupação atual nesses vôos?
Canhedo - Temos pouca ocupação. Cerca de 35% e apenas um vôo diário. Com a promoção vamos chegar a 70% de ocupação, com certeza. Dessa forma, linhas que por vezes pareçam deficitárias começarão a dar retorno imediato.
ISTOÉ - Isso vai afetar a TAM?
Canhedo - Com certeza. Mas, afete a quem afetar, o passageiro Vasp será o maior beneficiado dessa guerra suja.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
[Recordar é Viver] Varig Lança Site Especial para a Ponte Aérea
A aliança estratégica da Varig com a PSINet, anunciada na semana passada, está gerando um produto voltado para os usuários da Ponte Aérea Varig-Rio Sul, na ligação entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Trata-se do e-ponte, um site para reservas e compra de passagens por meio da Internet.
Desenvolvido pela Advice NetBusiness, o e-ponte é criptografado e permite negociações totalmente seguras utilizando o cartão de crédito. Entre as facilidades oferecidas, destacam-se a entrega dos bilhetes em 24 horas - no endereço desejado ou em qualquer local do Rio ou de São Paulo - ou a retirada nas lojas Varig-Rio Sul nos aeroportos cariocas e paulistas. O usuário poderá também fazer o check-in no momento da retirada do bilhete. O site oferece também conteúdo voltado para informações, em tempo real, sobre as condições de pouso e decolagem dos aeroportos Santos Dumont e Congonhas. A Ponte Varig-Rio Sul informa que lidera o mercado na ligação entre Rio e São Paulo, com uma ocupação média de 70%, operando 32 vôos diários em cada sentido. A rota possui o maior volume de tráfego aéreo em todo o país.
O endereço do site é http://www.eponte.com.br
Fonte: MM on Line
http://www.mmonline.com.br
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2000
[Recordar é Viver] Vasp amplia estratégia de descontos após sucesso na ponte aérea
AVIAÇÃO
Barganha nas alturas
Vasp amplia estratégia de descontos após sucesso na ponte aérea
Depois de reduzir pela metade as tarifas da ponte aérea São Paulo-Rio e do bilhete São Paulo-Belo Horizonte no dia 17 de janeiro, a Vasp se prepara para alçar vôos em outras direções com a mesma promoção. Entre as rotas em estudo está a São Paulo-Brasília, uma das mais frequentadas no País. O motivo é o sucesso da estratégia, que dá direito ao preço mais barato desde que seja feita uma reserva antecipada. “Estávamos com uma ocupação de 25% dos assentos na ponte aérea antes do corte dos preços. Agora a média é de 70% e chega a 90% nos domingos”, afirma Paulo Fernandez da Silva, gerente comercial da empresa. A redução da margem de lucro, que poderia representar uma estratégia suicida, garantiu na verdade um crescimento na receita dos vôos, segundo o executivo. “Nosso faturamento no trajeto São Paulo-Rio equivale hoje ao que tería-mos com uma ocupação de 40% dos assentos com tarifa normal.” Segundo o presidente do sindicato das empresas aéreas, Mauro Gandra, a Vasp conseguiu sair de uma situação de prejuízo na ponte aérea para passar a operar com lucro. “O passageiro é o beneficiado quando uma empresa adota tarifas promocionais”, alega.
Cerca de 7,3 mil pessoas viajam nesse trajeto diariamente. Ele responde por 35% do total de passageiros no País, o maior trânsito da aviação comercial brasileira. Entre as cinco companhias que atuam no trecho, a Vasp é a última colocada. Conseguiu, no entanto, aumentar sua média diária de 500 para 1.600 passageiros. O bilhete da Vasp, sem a taxa de embarque de R$ 14,40, sai por R$ 143. Já a Varig/Rio-Sul, líder no transporte aéreo, teve uma ocupação de 65% nos assentos em janeiro com a tarifa de R$ 286. A companhia aérea não pretende mudar a estratégia, nem a TAM e Transbrasil, que cobram R$ 286 e R$ 238, respectivamente. “A Transbrasil não acredita em política de preços mais barata para o consumidor e sim na oferta de mais serviços de bordo”, declara Cristiano Ramos de Souza, diretor de marketing.
Envie esta página para um amigo Há dois anos as companhias aéreas deflagraram uma guerra de tarifas com descontos de até 60%. A TAM foi quem deu o pontapé inicial. A Vasp chegou a ter na época uma ocupação média de 55%. Mas houve um armistício entre as empresas por causa dos prejuízos acumulados. Agora que a Vasp retoma o bombardeio de desconto para melhorar sua performance, vários endereços na Internet têm criado leilões de descontos de passagens aéreas. É o caso do Lokau (www.lokau.com) e Reserve (www.reserve.com.br), onde o usuário busca os preços mais baratos para destinos nacionais e internacionais.
terça-feira, 25 de janeiro de 2000
[Recordar é Viver] Vasp Lança Promoção na Ponte Aérea
A Vasp está dando um bilhete grátis para aumentar o movimento na ponte aérea Rio-São Paulo visando eliminar os prejuízos nesta rota, principal ligação aérea do País. Agora, quem compra um trecho de ida no percurso, por R$ 143,00 (sem taxas), ganha o de volta, sem nenhum custo adicional. Os concorrentes não pretendem reagir de imediato.
A promoção está em fase experimental, e apenas nos próximos dias será divulgada em peças publicitárias. O objetivo da empresa é trazer mais passageiros para a rota, para que eles conheçam de perto o serviço. "Decidimos fazer a promoção agora, que é de baixa temporada nesta rota", disse Mário Bento, gerente geral de planejamento de linhas da Vasp. Neste momento, a própria Vasp colhe os primeiros resultados e analisa os efeitos da ação, iniciada na semana passada. Promoção idêntica acontece na linha da empresa entre os aeroportos de Pampulha (Belo Horizonte) e Congonhas. Já se sabe que, na ponte Rio-São Paulo, triplicou o aproveitamento nas aeronaves que operam na rota. A ocupação decolou de 20% para cerca de 63%. Um avanço, mas não o suficiente para a retomada do lucro na rota. Considerando as condições anteriores, a ocupação mínima para uma operação lucrativa era ao redor de 50%. Agora, com esta promoção, é preciso colocar mais gente nos aviões para pagar os custos e viabilizar a operação. As projeções iniciais são de que é necessário voar com mais de 70% dos assentos ocupados. Com a publicidade prevista, a procura pela promoção deverá crescer.
"Não vamos reagir imediatamente. Vamos continuar perseguindo nossos objetivos, como temos feito, de crescer a ocupação dos vôos com preço justo e aumento de qualidade de serviços", disse Cristiano Ramos, diretor de marketing da TransBrasil. Já o Grupo Varig informou que seu movimento não foi afetado pela promoção da Vasp. Segundo Nilson Guilhem, diretor comercial da Rio-Sul – que coordena a atuação do grupo na Ponte Aérea -, a ocupação média dos aviões neste mês é de 61%, com cerca de 85 mil passageiros transportados. As concorrentes preferem aguardar e ver que tipo de público está sendo atraído pela Vasp: pessoas que não usam habitualmente a Ponte Aérea ou executivos e profissionais liberais.
Fonte: Gazeta Mercantil
http://www.gazeta.com.br