Quinta-feira, 8 de fevereiro de 2001 - Ano 2 - Nº 196 - Empresas & Tecnologia
Aviação - Valor Econômico
Cláudia Lobo, do Rio
O presidente da Varig, Ozires Silva, disse ontem, durante palestra para analistas de mercado, que levantamento comparando as tarifas da empresa aérea Gol Transportes Aéreos são mais baixos do que os preços dos tíquetes cobrados pela companhia americana de aviação regional Southwest Airlines. Ainda segundo Ozires, essa percepção leva à conclusão de que a empresa pode estar praticando dumping no mercado brasileiro.
A Southwest é usada pela Gol como exemplo de empresa com preço e custo baixos (low cost and low faire). Ozires acrescentou, no entanto, que a Varig não tomará nenhuma medida questionando a situação, pois quem deveria fazê-lo é o governo.
O executivo lembrou ainda que no Brasil, o preço da passagem ainda sofre acréscimos do custo Brasil, incluindo aí o combustível, que é 12% mais caro que nos Estados Unidos, o preço dos tributos, 7,5% mais altos e do leasing de aviões, que respondem por 15% do total do custo de vôo no Brasil.
Segundo a assessoria de imprensa da Gol, a comparação usada por Ozires Silva é errada, uma vez que ele não usou o yield, - medida do setor utilizada para analisar a receita por assento por quilômetro voado. De acordo com os dados divulgados pela empresa aérea brasileira recém formada, o custo da Southwest é de US$ 0,08, enquanto que o da Gol é de US$ 0,11 (R$ 0,21).
Ao contrário dos outros palestrantes, Ozires Silva não deu indicações dos resultados da Varig no ano passado. O executivo aproveitou o espaço pra reivindicar maior liberdade de preços para o setor.
Ainda de acordo com ele, entretanto, este ano os executivos do setor estão sendo ouvidos pela comissão de implantação da agência reguladora do setor. No ano passado, vários deles reclamaram de estarem sendo excluídos da discussão pelo governo.
Sobre os próximos passos da Varig, Ozires adiantou apenas que a empresa está fazendo um levantamento das suas rotas e da ocupação de assentos para avaliar a necessidade de adquirir novas aeronaves. Atualmente a média de ocupação da empresa é de 70%. Essa taxa, em primeira análise, segundo Ozires, indica a necessidade de maior oferta de vôos.
Cerca de 700 vôos deverão ser remanejados. Ele acrescentou que com isso, a empresa poderá necessitar de mais 20 aeronaves.
Somente depois da análise completa é que a empresa definirá se continuará com os planos para a compra de aviões tipo 737-700 e 737-800.
Com uma frota predominantemente composta pela Boeing, o Ozires Silva esteve na semana passada na Airbus.
Não foi fechado nenhum negócio, mas o executivo afirma que existe o interesse da empresa, já que a Airbus tem se mostrando uma empresa competitiva com aviões de qualidade.
A Varig está buscando formas para conseguir aumentar receita sem que os custos acompanhem, e com isso tentar reduzir sua dívida de quase R$ 1 bilhão. Além da revisão das rotas, outra aposta da companhia é na parte de carga da empresa. No início do ano passado, o grupo dividiu a parte de carga em uma empresa nova a Varig Log. (Colaborou Cindy Corrêa)
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