SÃO PAULO - As companhias aéreas TAM e Gol deveriam ser monitoradas mais de perto pelo governo, afirma Waldomiro Silva Jr., diretor de Tráfego e Planejamento da OceanAir, terceira maior empresa aérea do país. Segundo ele, as duas praticam dumping em mercados regionais para eliminar a concorrência e depois dividir rotas nas quais não terão competição e poderão estabelecer preços abusivos.
Consultadas, TAM e Gol preferiram não rebater as declarações do diretor da OceanAir.
Segundo o diretor, o governo não tem agido de forma eficiente para coibir o suposto abuso de poder econômico das duas líderes do mercado. O executivo diz que as duas reduzem o preço das passagens para abaixo do custo de operação, e acabam por " matar " a concorrência de empresas regionais, que não têm cacife para reduzir suas próprias tarifas e têm de fechar as portas. Depois disso, as duas dividem o mercado restante entre si, afirma Silva. " É o que aconteceu nas rotas (de Congonhas) para Ribeirão Preto e São José do Rio e para Maringá e Caxias do Sul. A TAM saiu de Ribeirão e de Maringá, as deixando para a Gol, que em troca deixou as rotas para São José e Caxias para a TAM " , afirma o executivo.
Ele afirma que, embora a OceanAir seja a favor da desregulamentação do setor, é preciso que o governo monitore a indústria para evitar abuso de poder financeiro como nesses casos. " Foi isso que acabou com a Pantanal. E o que já vem dificultando as operações da Rico e da TAF (ambas empresas regionais) " , acusa.
Para ele, quanto mais pequenas empresas aéreas saírem do mercado, pior para a própria companhia, que será deixada como única alternativa às duas grandes. Silva, porém, afirma que as ações de dumping de TAM e Gol não atingem diretamente a OceanAir, pois ela tem uma estratégia operacional diferente, que envolve captar passageiros com aviões menores em cidades pequenas e com pouca demanda para abastecer rotas mais disputadas, como as entre grandes capitais. Ainda assim, o efeito colateral, diz Silva, é considerável.
" Essa prática vai acabar por levar a um aumento substancial nas tarifas, principalmente por falta de concorrência. Essa prática não é nova, mas antes o dumping era feito de forma disfarçada e, agora, é feito abertamente " , critica o diretor. Ele diz ainda que essa atitude prejudica o passageiro mais do que financeiramente, já que leva a operações sem variedade de opções e com horários ruins. " Só assim se justifica operar uma cidade com demanda pequena com aviões para 180 passageiros. Nesses locais só há demanda para um vôo por dia, e as duas, sem concorrência, acabam escolhendo os horários que convêm a elas, não aos passageiros " , diz. " Uma rota dessas poderia ser melhor atendida por dois ou três vôos diários com aviões de até 100 lugares, como é especialidade das pequenas empresas regionais " , acrescenta.
Em relação à Pantanal, que não terá sua homologação de vôo renovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Silva acredita que voltará a operar. E, caso não volte, afirma que o governo tem com esse caso a oportunidade de sanar uma distorção no mercado ao modificar o sistema de distribuição de slots (permissões de pouso e decolagem) em aeroportos congestionados, como Congonhas. " Somos a favor de uma distribuição que leve em conta o incentivo à concorrência e não da prática atual, de sorteio, que pode beneficiar imensamente as grandes companhias em detrimento das menores " , diz ele, lembrando que enquanto a OceanAir tem 33 slots em Congonhas, TAM e Gol têm, respectivamente, 256 e 171.
Procuradas, ambas líderes de mercado preferiram não comentar as acusações de Silva. Enviaram, entretanto, comunicados relativos ao abandono das rotas de Maringá, Caxias do Sul, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
Segundo a Gol, a decisão de abandonar os vôos para Ribeirão e São José foi tomada no último dia 4, e a operação deve terminar no próximo dia 24 deste mês. Ela afirma que a medida foi tomada por conta da redução no número de slots em Congonhas, que a levou a interromper as duas rotas, com baixa demanda.
Já a TAM afirma que deixará de voar para Caxias e Maringá também no próximo dia 24, como fruto de uma reorganização de sua malha no sul do país. Embora diga em nota que os escritórios e terminais de carga nesses aeroportos continuarão funcionando, não dá mais detalhes sobre o motivo do abandono das rotas.
http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/03/14/ult1913u85312.jhtm
(José Sergio Osse | Valor Online)
Consultadas, TAM e Gol preferiram não rebater as declarações do diretor da OceanAir.
Segundo o diretor, o governo não tem agido de forma eficiente para coibir o suposto abuso de poder econômico das duas líderes do mercado. O executivo diz que as duas reduzem o preço das passagens para abaixo do custo de operação, e acabam por " matar " a concorrência de empresas regionais, que não têm cacife para reduzir suas próprias tarifas e têm de fechar as portas. Depois disso, as duas dividem o mercado restante entre si, afirma Silva. " É o que aconteceu nas rotas (de Congonhas) para Ribeirão Preto e São José do Rio e para Maringá e Caxias do Sul. A TAM saiu de Ribeirão e de Maringá, as deixando para a Gol, que em troca deixou as rotas para São José e Caxias para a TAM " , afirma o executivo.
Ele afirma que, embora a OceanAir seja a favor da desregulamentação do setor, é preciso que o governo monitore a indústria para evitar abuso de poder financeiro como nesses casos. " Foi isso que acabou com a Pantanal. E o que já vem dificultando as operações da Rico e da TAF (ambas empresas regionais) " , acusa.
Para ele, quanto mais pequenas empresas aéreas saírem do mercado, pior para a própria companhia, que será deixada como única alternativa às duas grandes. Silva, porém, afirma que as ações de dumping de TAM e Gol não atingem diretamente a OceanAir, pois ela tem uma estratégia operacional diferente, que envolve captar passageiros com aviões menores em cidades pequenas e com pouca demanda para abastecer rotas mais disputadas, como as entre grandes capitais. Ainda assim, o efeito colateral, diz Silva, é considerável.
" Essa prática vai acabar por levar a um aumento substancial nas tarifas, principalmente por falta de concorrência. Essa prática não é nova, mas antes o dumping era feito de forma disfarçada e, agora, é feito abertamente " , critica o diretor. Ele diz ainda que essa atitude prejudica o passageiro mais do que financeiramente, já que leva a operações sem variedade de opções e com horários ruins. " Só assim se justifica operar uma cidade com demanda pequena com aviões para 180 passageiros. Nesses locais só há demanda para um vôo por dia, e as duas, sem concorrência, acabam escolhendo os horários que convêm a elas, não aos passageiros " , diz. " Uma rota dessas poderia ser melhor atendida por dois ou três vôos diários com aviões de até 100 lugares, como é especialidade das pequenas empresas regionais " , acrescenta.
Em relação à Pantanal, que não terá sua homologação de vôo renovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Silva acredita que voltará a operar. E, caso não volte, afirma que o governo tem com esse caso a oportunidade de sanar uma distorção no mercado ao modificar o sistema de distribuição de slots (permissões de pouso e decolagem) em aeroportos congestionados, como Congonhas. " Somos a favor de uma distribuição que leve em conta o incentivo à concorrência e não da prática atual, de sorteio, que pode beneficiar imensamente as grandes companhias em detrimento das menores " , diz ele, lembrando que enquanto a OceanAir tem 33 slots em Congonhas, TAM e Gol têm, respectivamente, 256 e 171.
Procuradas, ambas líderes de mercado preferiram não comentar as acusações de Silva. Enviaram, entretanto, comunicados relativos ao abandono das rotas de Maringá, Caxias do Sul, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
Segundo a Gol, a decisão de abandonar os vôos para Ribeirão e São José foi tomada no último dia 4, e a operação deve terminar no próximo dia 24 deste mês. Ela afirma que a medida foi tomada por conta da redução no número de slots em Congonhas, que a levou a interromper as duas rotas, com baixa demanda.
Já a TAM afirma que deixará de voar para Caxias e Maringá também no próximo dia 24, como fruto de uma reorganização de sua malha no sul do país. Embora diga em nota que os escritórios e terminais de carga nesses aeroportos continuarão funcionando, não dá mais detalhes sobre o motivo do abandono das rotas.
http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/03/14/ult1913u85312.jhtm
(José Sergio Osse | Valor Online)
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