13/6/2001
Fonte: Gazeta Mercantil
Rio - As recentes mudanças no panorama da aviação nacional, com a entrada de novas companhias e acordos de compartilhamento de vôos, estão redesenhando a competição na ponte aérea Rio-São Paulo, tradicionalmente apontada como o filé mignon do setor. Líder em rentabilidade no trecho há vários anos, a Varig começa a sofrer os efeitos da queda da ocupação média das aeronaves, um dos indicadores que medem a lucratividade dos vôos. A Vasp, por sua vez, cresce por ter se concentrado no mercado interno após o cancelamento dos vôos internacionais no ano passado. Desde março, a companhia supera a Varig nos indicadores de ocupação média. Em maio, o índice da Vasp foi de 58%. O da concorrente foi de 48%. Dados do Departamento de Aviação Civil (DAC) mostram que, na comparação de maio de 2000 com maio deste ano, a ocupação média dos vôos da Varig na ponte aérea caiu de 70% para 48%. Na prática, a queda é reflexo da agressiva política da companhia de valorização do trecho e ampliação da oferta de horários. Em abril, graças a um acordo de compartilhamento de vôos com a Transbrasil, a Varig passou a operar 108 freqüências diárias entre Rio e São Paulo. A demanda não tem crescido na mesma proporção da oferta, e agora a companhia admite não estar tendo lucro com a operação. Estamos revendo a necessidade de manter todas as 108 freqüências da ponte, diz o vice-presidente operacional e de marketing da Varig, Roberto Macedo. Nas próximas semanas, estaremos promovendo ajustes. Garantimos, entretanto, que a oferta se manterá até 25% maior que a do ano passado. O presidente da Vasp, Wagner Canhedo, diz que a companhia opera a ponte aérea empatada, ou seja, não ganha mas também não perde. A Vasp conta com 28 vôos diários na ponte e tem autorização para mais 18. Os reajustes nos preços das tarifas da Varig, Transbrasil, TAM e Vasp, anunciados segunda-feira, deixarão ainda mais desequilibrada a competição entre as empresas na ponte aérea. A Vasp passou a cobrar R$ 121 pela operação. Suas concorrentes, entretanto, já voam a mesma rota por até R$ 254. É impossível concorrer com empresas que insistem em sacrificar seus resultados para manter uma boa imagem com os consumidores, diz um empresário do setor, que prefere manter o anonimato. O maior temor das grandes companhias de aviação na ligação Rio-São Paulo atende pelo nome de Gol Transportes Aéreos. A disputa no trecho, entretanto, está temporariamente adiada. A ameaça da nova companhia de operar a ponte aérea com vôos saindo do Santos Dumont, prevista para este mês, não será concretizada. A empresa cobra hoje R$ 79 para ligar o aeroporto do Galeão a São Paulo, em Congonhas. Adiamos por tempo indeterminado nossa chegada ao Santos Dumont. Aguardamos a entrega de duas aeronaves Boeing 737-700, que farão os vôos, para setembro e a autorização do DAC, que deve estar sendo pressionado a não concedê-la, diz o vice-presidente de marketing e serviços da Gol, Tarcísio Gargioni. A previsão da companhia era de que manteria 14 vôos diários. As tarifas ainda não tinham sido definidas, mas, segundo o próprio presidente da Gol, Constantino Jr., ficaria abaixo da cobrada pelos concorrentes. Historicamente, a Varig sempre teve resultado positivo na ponte. Nos últimos meses, entretanto, a rota não tem gerado ganhos. A Varig opta por diminuir a lucratividade, mas com a garantia de uma maior oferta de serviços. Nosso principal objetivo na rota é impedir que a concorrência possa oferecer melhor serviço que o da Varig, diz Macedo. Novos acordos com a Transbrasil, para aumento da freqüência de vôos, poderão ser anunciados em breve. A Transbrasil comemora os resultados do acordo com a Varig, já que sozinha, com a diminuição do número de aeronaves, não teria fôlego para competir. No primeiro trimestre do ano passado, a Transbrasil possuía 22 aviões. Este ano, tem 17. Na ponte, é utilizada apenas uma aeronave. Os números da companhia referentes aos 11 primeiros dias de junho, comparados com o mesmo período do ano passado, mostram que a receita da companhia na ponte aérea aumentou, apesar de a taxa de ocupação média ter caído de 46,5% para 28,6%. A maior flexibilidade de horários cria uma demanda maior, diz o vice-presidente executivo da Transbrasil, Flávio Carvalho. Ele admite ainda operar abaixo do ponto de equilíbrio. Buscamos ampliar os benefícios para melhorar em qualidade. Especialistas do setor, como o brigadeiro Mauro Gandra, ex-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), avaliam que o aumento de oferta contribuirá para gerar também aumento de demanda. A ponte aérea está mudando bastante, diz. (Daniel Oiticica)
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