Passageiros que preferem ônibus a avião citam tempo e medo para mudança.
Motorista diz que usuários ficaram mais 'elitizados'.
Fonte: g1.globo.com
O motorista de ônibus piauiense Benedito de Souza Coelho Filho faz há 17 anos trajetos interestaduais. Na linha que liga São Paulo ao Rio ele completou um ano na segunda-feira (23). Mas esta é a primeira vez que se depara com o que chama de passageiros “mais elitizados”.
“Dá pra notar que essas pessoas viajavam antes de avião porque elas perguntam sobre o trajeto, tempo de viagem, ponto de parada para comer, coisas que quem usa ônibus já sabe”, diz. Além disso, ele diz que dá para notar a mudança por causa da forma como os passageiros o abordam. “São pessoas mais bem educadas, bem vestidas e são mais bonitas”, alega.
Benedito afirma que, desde o acidente com o avião da TAM, no dia 17, o número de passageiros aumentou consideravelmente. O ônibus das 19h20 da Itapemirim que ele conduzia levava 31 passageiros na quarta-feira (25). Segundo ele, normalmente o número chega a no máximo 15 neste dia da semana. “Na terça-feira (24), no horário da meia-noite, levei 42 passageiros para o Rio. O carro saiu lotado. Isso nunca aconteceu numa terça”, diz.
Acostumado a ir de avião para o Rio, o agente de viagens paulista Paulo Falcão, de 43 anos, ia pela primeira vez de ônibus para a capital fluminense. “Avaliei: seriam 45 minutos de trânsito na Marginal Tietê até Cumbica, em Guarulhos, outras duas horas de espera no aeroporto e o mesmo tanto para aterrissar. Se somar tudo dá praticamente o mesmo tempo do ônibus”, afirma Falcão. “Pelo menos aqui vou descansando.”
Na mesma situação estava o supervisor de informática também paulista Anderson Dias, de 29 anos. Como tem de ir pelo menos uma vez por semana ao Rio, ele precisou trocar pela primeira vez o avião pelo ônibus porque não conseguiu encontrar passagem. “Está um caos. Precisa fazer uma transformação profunda, desde a infra-estrutura aeroportuária até o controle de tráfego aéreo”, afirma.
Outro que viajava pela primeira vez de ônibus a trabalho, o tecnólogo da informação, paulista, Emerson Pinha teve de acalmar a filha de 10 anos antes de partir. “Ela me perguntou antes de eu viajar: ‘não vai de avião, né papai?’” Segundo ele, outros funcionários da empresa onde trabalha estão indo para Curitiba também de ônibus. “Estávamos perdendo muitos compromissos”, diz. “Houve até uma discussão conceitual sobre qual meio de transporte iríamos usar”.
O engenheiro carioca Edson Vizzoni, de 55 anos, desistiu da ponte aérea e agora opta pela do asfalto porque a sede da empresa onde trabalha fica em São Paulo e ele prefere não arriscar a perder os compromissos. “Além de ser pontual, dá para planejar os horários”, diz, em relação aos ônibus.
A atriz carioca Lucy Mafra também trabalha em São Paulo e começou a usar ônibus no fim do ano, após os primeiros problemas com o tráfego aéreo. Se antes era para evitar os atrasos, agora ela reconhece que pega ônibus também por medo, devido ao acidente com o avião da TAM. “Prefiro dormir no ônibus do que no aeroporto.” (Veja a cobertura completa do acidente)
A Itapemirim colocou ônibus extras para atender a demanda. A maior procura tem sido para Curitiba. Na quarta-feira (25), a empresa colocou 22 carros extras desde as 6h. Para Porto Alegre foram abertos oito novos horários e para o Rio, seis. Segundo a empresa, o aumento no movimento no Terminal Rodoviário do Tietê está entre 30% e 35% maior que em meses anteriores. No entanto, a companhia credita o aumento não só à crise aérea, como também às férias.
Na Viação 1001, a venda de passagens também cresceu em média 30%. No trecho SP-Rio, que geralmente é servido por 16 ônibus, foram colocados mais nove carros para atender a demanda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.