quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

[Recordar é Viver] Azul não teme que Embraer suste pedidos

Monitor Mercantil

25/02/2009 - 18:02

A insatisfação do governo com demissão de 4,2 mil trabalhadores da Embraer, anunciada na semana passada, não deverá prejudicar o financiamento que a Azul Linhas Aéreas está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de quatro jatos da fabricante brasileira. A avaliação é do diretor de Relações Institucionais da companhia, Adalberto Febeliano.

"Isso (demissões da Embraer dificultarem financiamento do BNDES) não faz nenhum sentido, não é a base de represálias que vai se resolver essa questão. Todos os fabricantes de aeronaves estão sentindo a crise, com adiamento de entregas e cancelamentos", disse Febeliano. O executivo não estimou a quantia que está sendo pleiteada e afirma que o agente financeiro de dois dos aviões deverá ser o Banco do Brasil.


Compra no exterior

Na avaliação do executivo, essa seria uma forma de diluir o risco da operação capitaneada pelo BNDES. Além das quatro aeronaves que deverão ser financiadas pelo BNDES, Febeliano conta que a Azul negocia um financiamento externo para uma quinta aeronave. O nome da instituição, porém, não foi revelado. Uma fonte do setor afirma que trata-se de um banco alemão.

Segundo essa pessoa, o fato de a Azul estar procurando uma fonte de financiamento externo para financiar uma aeronave, em vez de optar pelo BNDES, é uma estratégia para a empresa não ter alta dependência de apenas uma fonte de financiamento. Febeliano afirma que a frota da Azul em 2009 poderá ser menor do que a inicialmente planejada: de 16 para 14 aeronaves. A Azul tem atualmente sete jatos em operação.

Como o financiamento para cinco aeronaves já estão em fase adiantada de negociações, ficaria faltando garantir crédito para mais dois jatos. "Isso (frota) depende um pouco de como o mercado for reagindo. Nós temos hoje um mercado que está muito seco em termos de liquidez, inclusive para financiamento de aeronaves. Num mercado como esse você até pode ir atrás e conseguir um financiamento, mas não necessariamente em condições boas", afirmou Febeliano.

No dia 22 de janeiro, o presidente executivo da Azul, Pedro Janot, havia informado que a companhia negociava um financiamento de US$ 50 milhões com o BNDES para a aquisição de duas aeronaves. Naquela ocasião, Janot já havia falado das dificuldades para obtenção de financiamento externo por conta da escassez de crédito no mercado internacional, o que poderia alterar o planejamento de frota da companhia previsto até o final deste ano.

Dos sete jatos em operação na frota da Azul, quatro são do modelo 190, com capacidade para 106 passageiros. O três restantes são da família 195, com configuração para 118 assentos. Os dois primeiros aviões (Embraer 190) da Azul foram arrendados da companhia aérea americana Jet Blue, fundada por David Neeleman, também fundador da Azul, onde ocupa a presidência do Conselho de Administração. O primeiro vôo regular da Azul decolou no dia 15 de dezembro.

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